Derrotado pelo Irã, Trump inverte a narrativa e diz que país persa se rendeu
Presidente dos Estados Unidos afirma à Axios que memorando com Teerã representa “rendição incondicional”
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou transformar em vitória política e militar o memorando de entendimento firmado com o Irã, ao afirmar que o acordo representa uma “rendição incondicional” de Teerã. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao portal Axios e repercutida pela agência TASS nesta quinta-feira, 19 de junho.
A fala ocorre em meio ao esforço de Trump para inverter a narrativa sobre o desfecho da guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Embora o entendimento anunciado entre Washington e Teerã tenha sido apresentado como um caminho para encerrar o conflito no Oriente Médio, o presidente estadunidense sustentou que o país persa teria sido “totalmente” derrotado no campo militar.
Questionado por um jornalista sobre a diferença entre sua exigência anterior de “rendição incondicional” e a assinatura de um memorando de entendimento, Trump respondeu que o acordo “provavelmente é rendição incondicional”.
“Derrotamos eles totalmente militarmente”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, acrescentando que a guerra teria demonstrado a força militar norte-americana.
Trump também exaltou o bloqueio naval imposto contra o Irã durante o conflito. “Quem mais poderia ter feito um bloqueio como esse? Eu fiz um bloqueio naval em que nenhum navio conseguiu passar. Alguns tentaram. Não durou muito tempo”, declarou.
A retórica triunfalista do presidente norte-americano contrasta com os termos divulgados sobre o acordo, que apontam para uma solução negociada, mediada pelo Paquistão, e não para uma capitulação unilateral de Teerã. Autoridades dos Estados Unidos, do Irã e do Paquistão confirmaram em 14 de junho que Washington e Teerã haviam alcançado um entendimento destinado a encerrar o conflito no Oriente Médio.
Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, o cessar-fogo terá duração inicial de 60 dias. Durante esse período, as partes discutirão, entre outros temas, o programa nuclear iraniano. O acordo também prevê o fim do bloqueio marítimo norte-americano contra o Irã a partir de 15 de junho e a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Apesar desses termos, Trump insistiu em apresentar o memorando como uma demonstração absoluta de superioridade dos Estados Unidos. Ao ser perguntado se o conflito teria revelado limites à sua capacidade de usar a força, o presidente respondeu de forma categórica: “Não há limites”.
A declaração reforça o tom belicista adotado por Trump ao longo da guerra e indica que a Casa Branca busca capitalizar politicamente o acordo, apresentando uma solução negociada como se fosse uma vitória militar sem concessões. A assinatura do memorando com o Irã foi confirmada pelo próprio Trump em 17 de junho.
O episódio marca mais um capítulo da disputa narrativa em torno do conflito. Enquanto o governo norte-americano tenta vender o acordo como prova de força, os termos conhecidos apontam para uma negociação ampla, com suspensão de operações militares, fim do bloqueio marítimo e abertura de conversas sobre o programa nuclear iraniano.



