EUA ampliam ofensiva naval contra o Irã e preparam abordagem de navios em águas internacionais
Estratégia inclui apreensão de embarcações e sanções para pressionar Teerã em meio à crise no Estreito de Ormuz
247 - Os Estados Unidos ampliaram sua ofensiva naval contra o Irã e se preparam para abordar e apreender embarcações ligadas a Teerã em águas internacionais. A estratégia faz parte de um esforço mais amplo que inclui sanções econômicas e pressão militar em meio à escalada de tensões no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo.
Citando o Wall Street Journal, o jornal O Globo destaca que a nova fase da operação marca a expansão da atuação estadunidense para além do Oriente Médio, atingindo navios associados ao Irã em diferentes regiões do mundo.
Tensão no Estreito de Ormuz
O cenário ocorre em meio ao aumento da instabilidade no Estreito de Ormuz, onde embarcações comerciais foram alvo de ataques recentes. Autoridades iranianas afirmaram que a passagem está sob “controle rigoroso”, o que elevou preocupações no setor de transporte marítimo.
Apesar de declarações anteriores indicando que o tráfego seguia normal, o ambiente de insegurança levou a uma intensificação das ações dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump havia demonstrado otimismo com a manutenção da rota aberta, mas a falta de avanços nas negociações nucleares contribuiu para o endurecimento da postura dos EUA.
Bloqueio naval e alcance global
Segundo autoridades estadunidenses, o objetivo é pressionar o Irã a garantir a livre circulação marítima e avançar em um acordo sobre seu programa nuclear. As negociações seguem sem consenso, e um cessar-fogo temporário pode expirar nos próximos dias.
O Comando Central dos EUA informou que ao menos 23 navios já foram impedidos de deixar portos iranianos como parte de um bloqueio em curso. Com a ampliação da ofensiva, Washington pretende interceptar embarcações ligadas ao Irã em diferentes regiões, incluindo petroleiros e navios suspeitos de transportar armamentos.
O chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, afirmou que qualquer embarcação com bandeira iraniana ou envolvida em apoio ao país poderá ser alvo das operações. Entre os focos está a chamada “frota fantasma”, utilizada para driblar sanções internacionais.
Sanções e impacto econômico
Além das ações militares, os Estados Unidos ampliaram as sanções contra o Irã. O Departamento do Tesouro incluiu novas embarcações, empresas e indivíduos na lista de restrições, atingindo redes consideradas essenciais para a economia iraniana.
Entre os alvos está o empresário Mohammad Hossein Shamkhani, ligado ao transporte de petróleo e filho de um ex-assessor de segurança do líder supremo Ali Khamenei. Autoridades dos EUA também indicaram que pretendem processar envolvidos na comercialização de petróleo iraniano sob sanções.
Grande parte das exportações do Irã, estimadas em cerca de 1,6 milhão de barris por dia, tem como destino a China, o que aumenta a preocupação de Washington com o papel de Pequim nesse fluxo comercial.
Risco de escalada militar
Apesar da intensificação da pressão, a Casa Branca afirma que ainda busca uma solução negociada. Nos bastidores, porém, há preparação para um possível agravamento do conflito.
O Irã mantém um arsenal significativo de mísseis de curto e médio alcance e tem mobilizado estruturas subterrâneas. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que as forças estadunidenses estão “totalmente posicionadas” para agir caso as negociações fracassem.
Ataques a infraestruturas estratégicas iranianas permanecem como possibilidade, mas são considerados de alto risco, devido à chance de retaliações contra aliados dos Estados Unidos na região.
Para o professor de direito Mark Nevitt, da Universidade Emory, a estratégia estadunidense envolve múltiplas frentes simultâneas. “É uma abordagem maximalista. Se o objetivo é pressionar o Irã, todas as ferramentas legais disponíveis estão sendo usadas”, afirmou.


