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EUA enviam negociadores ao Paquistão, mas Irã descarta encontro direto

Teerã afirma que suas preocupações serão transmitidas por Islamabad, enquanto Trump diz que iranianos preparam proposta para Washington

Outdoor oficial anuncia negociações entre Irã e EUA no Paquistão (Foto: Reuters)

247 – Negociadores dos Estados Unidos devem viajar neste sábado (25) para Islamabad, no Paquistão, em uma nova tentativa de avançar nas tratativas para encerrar a guerra envolvendo Irã, EUA e Israel, mas Teerã descartou a possibilidade de uma reunião direta com representantes norte-americanos.

Segundo a Reuters, o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner devem seguir para o Paquistão para conversas envolvendo o chanceler iraniano Abbas Araqchi. O governo iraniano, porém, afirmou que suas autoridades não pretendem se reunir com os norte-americanos e que suas preocupações serão transmitidas ao mediador paquistanês.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o Irã ainda tem a oportunidade de fazer um “bom acordo” com Washington. “O Irã sabe que ainda tem uma janela aberta para escolher sabiamente”, afirmou. “Tudo o que eles precisam fazer é abandonar uma arma nuclear de maneira significativa e verificável.”

Trump diz que Irã prepara proposta

Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, afirmou à Reuters na sexta-feira que o Irã planeja apresentar uma proposta destinada a atender às exigências norte-americanas, embora tenha dito desconhecer o conteúdo da oferta.

Questionado sobre com quem Washington estaria negociando, Trump evitou detalhar, mas afirmou: “estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que os EUA observaram avanços recentes do lado iraniano e esperam novos sinais durante o fim de semana. O vice-presidente JD Vance também estaria pronto para viajar ao Paquistão, caso necessário.

Há duas semanas, Vance, Witkoff, Kushner, Araqchi e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, participaram de negociações em Islamabad, mas as conversas terminaram sem resultado conclusivo.

Impasse afeta petróleo e comércio global

A guerra, que entra em sua nona semana, provocou forte impacto sobre os mercados globais. O Irã praticamente fechou o Estreito de Hormuz, por onde normalmente passa um quinto dos embarques globais de petróleo, enquanto os Estados Unidos bloqueiam exportações de petróleo iraniano.

A Reuters informou que apenas cinco navios cruzaram o Estreito de Hormuz nas últimas 24 horas, contra cerca de 130 por dia antes da guerra iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro. Nenhum dos navios era um superpetroleiro de grande porte, como os que normalmente abastecem os mercados internacionais de energia.

A incerteza sobre as negociações e a escalada da violência regional fizeram o petróleo Brent disparar 16% na semana, elevando preocupações com inflação e desaceleração da economia global.

Cessar-fogo é prorrogado, mas tensão continua

Trump prorrogou unilateralmente, na terça-feira, um cessar-fogo de duas semanas para permitir a retomada das negociações. Ao mesmo tempo, Israel e Líbano estenderam por três semanas seu próprio cessar-fogo, em reunião na Casa Branca mediada pelo presidente norte-americano.

Apesar disso, persistem sinais de conflito no sul do Líbano. Autoridades libanesas relataram seis mortes em um ataque israelense, enquanto o Hezbollah afirmou ter derrubado um drone de Israel. O Exército israelense declarou ter matado seis integrantes armados do Hezbollah.

Teerã afirma que um cessar-fogo no Líbano é condição prévia para conversas mais amplas.

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