Na ONU, Irã diz não buscar confronto, mas que responderá a atos de agressão
O país asiático afirmou que não pretende intimidar outros países, mas cumpre 'uma responsabilização legal prevista na Carta das Nações Unidas'
247 - O vice-representante permanente do Irã junto à Organização das Nações Unidas (ONU), Gholamhossein Darzi, afirmou que o país não busca escalada ou confronto, mas que responderá a atos de agressão caso ocorram, em conformidade com o direito internacional. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação no Irã. O recado é direcionado principalmente para os Estados Unidos.
Durante o encontro, Darzi destacou que a posição do país não tem intenção de intimidar outras nações, mas reflete uma responsabilização legal prevista na Carta das Nações Unidas. O relato sai na Sputnik.
“O Irã não busca nem escalada nem confronto. No entanto, qualquer ato de agressão — direta ou indireta — será enfrentado com uma resposta decisiva, proporcional e legal, nos termos do Artigo 51 da Carta”, disse o enviado iraniano em Nova York.
Estrangeiros no Oriente Médio
Em meio ao discurso iraniano na ONU, países como os Estados Unidos têm reavaliado a presença de funcionários e militares no Oriente Médio devido às tensões regionais crescentes. Autoridades dos EUA anunciaram a retirada parcial de pessoal não essencial de embaixadas e bases no Iraque, Kuwait, Bahrein e outros países da região, em resposta à percepção de aumento dos riscos de segurança.
A movimentação ocorre num contexto de incerteza que envolve negociações sobre o programa nuclear iraniano e preocupações com possíveis confrontos regionais. As retiradas foram descritas por autoridades dos EUA como uma medida de precaução diante do cenário de tensões e alertas sobre possíveis ações militares ou repercussões indiretas de confrontos no Oriente Médio.
Outros governos como Reino Unido, França, Canadá e Polônia também adotaram medidas relacionadas à segurança de seus cidadãos e funcionários no Irã e na região, com alertas de viagem ou reorganização de operações diplomáticas em função do quadro geopolítico mais volátil.
Fechamento de espaço aéreo
Como parte das respostas aos acontecimentos recentes, o Irã chegou a fechar o espaço aéreo para voos internacionais por quase cinco horas em um dia de intensa movimentação de aeronaves e em meio a preocupações com a segurança operacional. A exceção nesse fechamento temporário foi para voos com origem ou destino a Teerã, conforme divulgado por autoridades locais.
Protestos
O contexto interno do Irã também é marcado por protestos e confrontos. Números divulgadas por uma organização de direitos humanos iraniana, a Iran Human Rights (IRH), apontaram mais de 3,3 mil mortes nos cinco dias anteriores, em manifestações contrárias ao governo.
Os participantes das mobilizações cobram melhorias na condução da economia. As estatísticas refletem um quadro de mobilizações populares e tensões sociais, que vêm sendo noticiadas em meio a relatos sobre respostas de forças de segurança.
Reservas de petróleo
Embora diversas questões estejam em jogo nas relações entre o Irã e outras potências, inclusive os Estados Unidos, o país continua sendo um dos detentores das maiores reservas de petróleo do mundo.
Dados do site World Atlas indicam que o Irã tinha cerca de 208,6 bilhões de barris de reservas petrolíferas em 2024, ficando atrás da Venezuela (300,9 bilhões de barris) e da Arábia Saudita (266,5 bilhões de barris). Esse fator energético é considerado relevante nas análises sobre a política externa e as relações internacionais envolvendo a República Islâmica.


