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Pressionado politicamente, Trump é orientado a retirar os EUA da guerra com o Irã

Assessores alertam o presidente estadunidense sobre riscos políticos e econômicos da guerra. Pesquisas mostraram rejeição da população dos EUA ao conflito

Donald Trump (Foto: Molly Riley/Casa Branca)

247 - Assessores próximos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm defendido internamente que Washington abandone a guerra contra o Irã. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal (WSJ) na segunda-feira (9), em meio ao aumento das tensões militares no Oriente Médio.

Conselheiros da Casa Branca estariam alertando o atual presidente dos Estados Unidos sobre os riscos políticos e estratégicos da continuidade da ofensiva militar. O tema ganhou peso após a apresentação de pesquisas de opinião indicando que a maioria da população estadunidense se opõe à participação do país no conflito.

Um dos motivos para a preocupação entre os assessores de Trump é o aumento do valor do petróleo, que, no último fim de semana, chegou a se aproximar de US$ 120 por barril. Com as novas declarações do presidente dos EUA sobre o possível fim da guerra mais rapidamente do que o esperado, o preço do combustível voltou a se aproximar da faixa de US$ 90.

Durante uma coletiva de imprensa realizada na Flórida, Trump comentou o andamento das operações militares. O atual presidente dos Estados Unidos afirmou que as ações das forças americanas estariam avançando rapidamente.

“Estamos muito à frente do cronograma”, declarou Trump aos jornalistas. Segundo ele, o confronto armado “terminaria muito em breve”.

A divulgação das informações provocou reação da Casa Branca. A porta-voz presidencial, Karoline Leavitt, criticou a reportagem publicada pelo WSJ e contestou a existência de pressões internas por uma retirada do conflito.

Leavitt afirmou que o conteúdo divulgado pelo jornal estava “cheia de bobagens de fontes anônimas” e disse que os principais assessores do governo estão concentrados na condução da operação militar.

De acordo com a porta-voz, a equipe presidencial está focada em garantir o êxito da ofensiva batizada de Operação “Fúria Épica”.

Pesquisa e taxa de aprovação

Uma pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos e concluída no domingo (01/03) indica que apenas cerca de um em cada quatro cidadãos dos EUA apoia os ataques conduzidos pelos EUA e por Israel que resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em uma operação direcionada. O levantamento também aponta que aproximadamente metade da população – incluindo um em cada quatro eleitores republicanos – avalia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstra disposição excessiva para recorrer ao uso da força militar.

De acordo com os dados da pesquisa, 27% dos entrevistados disseram aprovar a ofensiva, enquanto 43% manifestaram desaprovação. Outros 29% afirmaram não ter uma posição definida sobre o tema. O estudo também mostrou que o episódio é amplamente conhecido pela população: cerca de nove em cada dez participantes disseram ter ouvido falar ao menos parcialmente sobre os ataques, iniciados na madrugada de sábado (28/02).

Entre os eleitores democratas, a rejeição às ações militares é predominante. Segundo o levantamento, 74% desse grupo desaprovam os ataques, enquanto apenas 7% afirmaram apoiá-los e 19% disseram não saber ou não ter opinião formada.

A pesquisa também avaliou possíveis impactos econômicos do conflito no apoio público à campanha contra o Irã. Cerca de 45% dos entrevistados — incluindo 34% dos republicanos e 44% dos independentes — afirmaram que estariam menos inclinados a apoiar a ofensiva caso os preços da gasolina ou do petróleo aumentassem nos Estados Unidos.

O levantamento registrou ainda uma leve queda na taxa de aprovação do presidente Donald Trump. O índice ficou em 39%, um ponto percentual abaixo do observado na pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre os dias 18 e 23 de fevereiro.

Escalada militar no Oriente Médio

O debate sobre o envolvimento militar dos Estados Unidos ocorre em meio ao agravamento do conflito entre Washington e Teerã. Dados oficiais citados por autoridades iranianas indicam que mais de 1,2 mil pessoas morreram no Irã desde o início dos ataques, no último dia 28.

Além das vítimas registradas em território iraniano, quase duas mil mortes foram contabilizadas em diferentes países do Oriente Médio desde o início da escalada militar.

O governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem justificado as operações alegando que o Irã estaria adotando medidas destinadas ao desenvolvimento de uma bomba nuclear.

Entretanto, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, declarou que inspeções conduzidas por técnicos ligados à Organização das Nações Unidas não encontraram evidências de um programa coordenado no país para a produção de armas nucleares.

O cenário de tensão internacional permanece em evolução, com discussões dentro do governo norte-americano sobre os rumos da participação dos Estados Unidos no conflito.

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