Reino Unido libera suas bases para novas agressões dos Estados Unidos contra o Irã
Governo britânico autoriza uso de instalações militares por Washington após ofensiva que matou Ali Khamenei e ampliou a escalada no Oriente Médio
247 – O governo do Reino Unido autorizou os Estados Unidos a utilizarem bases militares britânicas em ações classificadas por Londres como “defensivas” contra o Irã, aprofundando o envolvimento britânico na crise desencadeada pela ofensiva conjunta EUA-Israel que matou o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. A informação foi divulgada pela RT, em cobertura ao vivo sobre os desdobramentos do conflito.
Segundo a publicação, os ataques iniciados no sábado de manhã resultaram na morte de Khamenei, do chefe da Guarda Revolucionária Iraniana e de outras altas autoridades. Moscou condenou duramente a operação, criticando a prática de “assassinatos políticos” e a “caça” a líderes de Estados soberanos.
Em pronunciamento em vídeo à nação, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer afirmou que o Reino Unido “não esteve envolvido nos ataques iniciais ao Irã”, mas confirmou que Londres aceitou um pedido formal de Washington para utilizar bases britânicas em operações destinadas a destruir mísseis iranianos “na origem”.
Starmer invoca ‘autodefesa coletiva’
Ao justificar a decisão, Starmer declarou: “Os Estados Unidos solicitaram permissão para usar bases britânicas para esse propósito defensivo específico e limitado. Tomamos a decisão de aceitar esse pedido.”
Ele sustentou que a medida estaria “de acordo com o direito internacional” e com acordos de “autodefesa coletiva”. O premiê britânico também enfatizou: “Não estamos nos juntando a ações ofensivas neste momento”, ao mesmo tempo em que reconheceu os “erros do Iraque”.
Starmer afirmou ainda que a autorização visa impedir ataques contra parceiros do Golfo e proteger cidadãos britânicos, mencionando um episódio em que militares do Reino Unido no Bahrein teriam escapado por pouco de um ataque.
Retaliação iraniana atinge bases dos EUA
Após a morte de Khamenei, o Irã respondeu com centenas de ataques com mísseis e drones contra Israel e contra ativos militares dos Estados Unidos na região do Golfo.
Segundo os relatos, drones e mísseis iranianos teriam atingido instalações americanas no Bahrein, incluindo uma estrutura marítima próxima ao porto de Mina Salman. Houve ainda registro de incêndio na base Naval Support Activity, em Manama, que abriga o Comando Central da Marinha dos EUA e a Quinta Frota. O Ministério do Interior do Bahrein informou que equipes de defesa civil atuavam para conter as chamas, sem confirmar os danos específicos.
Explosões também foram relatadas nas proximidades da base britânica da RAF Akrotiri, no Chipre, após suspeita de ataque com drone. Um “alerta de segurança” foi declarado na instalação, com ordens para que o pessoal buscasse abrigo.
Trump defende ofensiva e fala em mudança de regime
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou novo pronunciamento em vídeo defendendo os resultados da operação conjunta, chamada de “Operation Epic Fury”, que eliminou o líder supremo iraniano e parte significativa da cúpula política e militar do país.
Trump afirmou: “Convoco todos os patriotas iranianos que anseiam por liberdade a aproveitar este momento, a serem corajosos, ousados e heroicos, e a retomar seu país.”
Ele acrescentou: “A América está com vocês. Fiz uma promessa a vocês e cumpri essa promessa. O resto dependerá de vocês, mas estaremos lá para ajudar.”
O presidente norte-americano declarou ainda que forças iranianas estariam “ligando aos milhares” para se render e ofereceu imunidade a quem depusesse as armas, advertindo que os demais enfrentariam “morte certa”.
Trump reconheceu a morte de três militares americanos em ataques retaliatórios iranianos contra ativos dos EUA na região e prometeu “vingar suas mortes”.
Condenações internacionais e caos regional
Rússia, China e o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenaram os ataques dos Estados Unidos e de Israel. O presidente russo, Vladimir Putin, expressou condolências pela morte de Khamenei, classificando o episódio como uma “violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional”.
Ao mesmo tempo, a União Europeia criticou de forma mais contundente as retaliações iranianas do que a ofensiva inicial conduzida por Washington e Tel Aviv.
O conflito também gerou protestos no Paquistão, onde ao menos 22 pessoas morreram em confrontos entre manifestantes pró-Irã e forças de segurança. Segundo relatos, manifestantes tentaram invadir o consulado dos Estados Unidos em Karachi e atacaram prédios da ONU e repartições governamentais.
Além do impacto humano, o tráfego aéreo e marítimo no Oriente Médio foi fortemente afetado. Milhares de turistas ficaram retidos em aeroportos, enquanto rotas comerciais foram interrompidas em meio à escalada militar.
A autorização britânica para uso de suas bases insere formalmente Londres no tabuleiro estratégico da crise, ampliando o risco de internacionalização ainda maior do conflito e aprofundando a instabilidade em uma das regiões mais sensíveis do planeta.


