Rússia e Ucrânia anunciaram cessar-fogo de três dias, diz Trump
O acordo também prevê troca de mil prisioneiros entre os dois países europeus
247 - O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (8), pelas redes sociais, que Rússia e Ucrânia anunciaram um cessar-fogo de três dias, previsto para vigorar entre 9 e 11 de maio, com suspensão das atividades militares e troca de 1.000 prisioneiros de cada lado. A medida ocorre às vésperas das celebrações do Dia da Vitória, data marcada na Rússia e também lembrada na Ucrânia pelo papel dos dois países na Segunda Guerra Mundial. A informação foi publicada pela CNN.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou o acordo. Segundo Trump, a trégua foi aceita pelo presidente russo, Vladimir Putin, e pelo líder ucraniano, em meio às negociações para tentar encerrar a guerra iniciada após a invasão russa da Ucrânia em 2022.
“O cessar-fogo incluirá a suspensão de todas as atividades militares e também a troca de 1.000 prisioneiros de cada país. Este pedido foi feito diretamente por mim, e agradeço imensamente a concordância do presidente Vladimir Putin e do presidente Volodymyr Zelensky”, escreveu Trump.
O atual presidente dos Estados Unidos também relacionou a pausa nos combates ao Dia da Vitória. “A celebração na Rússia é pelo Dia da Vitória, mas o mesmo ocorre na Ucrânia, pois ambos os países tiveram um papel importante na Segunda Guerra Mundial”, afirmou.
Trump declarou ainda esperar que a trégua abra caminho para uma solução mais ampla do conflito. “Espero que este seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e árdua”, disse ele. Segundo o republicano, as negociações continuam e estariam avançando.
Zelensky confirma preparação para troca de prisioneiros
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou a iniciativa em publicação nas redes sociais e afirmou que Kiev trabalha para viabilizar o retorno de cidadãos ucranianos mantidos em poder da Rússia.
“A Ucrânia está trabalhando consistentemente para trazer seu povo de volta do cativeiro russo. Instruí nossa equipe a preparar prontamente tudo o que é necessário para a troca”, disse Zelensky.
A troca anunciada por Trump prevê a libertação de 1.000 prisioneiros por cada lado. O tema das trocas de prisioneiros tem aparecido de forma recorrente nas negociações entre Rússia e Ucrânia, mesmo em momentos de impasse militar e diplomático. Em abril, os dois países realizaram uma troca de 175 prisioneiros de guerra de cada lado antes de um cessar-fogo temporário ligado à Páscoa Ortodoxa.
Cessar-fogos anteriores tiveram acusações de violação
O anúncio ocorre após Rússia e Ucrânia terem declarado cessar-fogos de forma separada. Moscou havia indicado uma pausa nos combates para os dias 8 e 9 de maio, em razão das cerimônias do Dia da Vitória. Kiev também havia anunciado uma trégua a partir da virada de terça-feira (5) para quarta-feira (6).
As iniciativas anteriores não impediram novas acusações entre os dois lados. Rússia e Ucrânia trocaram responsabilizações por supostas violações dos períodos de pausa, em um ambiente de desconfiança que marcou tentativas anteriores de reduzir temporariamente os combates.
Neste sábado (9), a Rússia celebrará o aniversário da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. A data tem forte peso político e simbólico para Moscou, que organiza anualmente cerimônias oficiais para marcar o episódio.
Guerra segue com ataques de mísseis, drones e artilharia
A guerra entre Rússia e Ucrânia entrou em seu quarto ano após a invasão russa iniciada em 2022. O conflito se tornou o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial e segue marcado por ataques com mísseis, drones e artilharia.
Nos últimos dias, relatos internacionais indicaram aumento da tensão em torno das cerimônias do Dia da Vitória em Moscou. A Ucrânia acusou a Rússia de manter ataques apesar das propostas de trégua, enquanto o Kremlin reforçou alertas ligados à segurança das celebrações.
A eventual suspensão das operações militares entre 9 e 11 de maio, caso se mantenha, poderá representar uma das maiores pausas recentes nos combates. O alcance político da medida, ainda assim, dependerá do cumprimento da trégua pelas partes e da continuidade das negociações diplomáticas conduzidas em meio à pressão internacional pelo fim da guerra.


