Trump corta programas sociais para dar mais dinheiro aos militares nos Estados Unidos
Proposta orçamentária amplia gastos com defesa para US$ 1,5 trilhão enquanto reduz investimentos em saúde, meio ambiente, ciência e políticas públicas
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta sexta-feira uma proposta orçamentária que combina cortes significativos em programas sociais com um aumento expressivo nos gastos militares. Segundo a Reuters, o plano para o ano fiscal de 2027 prevê uma redução de 10% nos gastos discricionários não ligados à defesa, ao mesmo tempo em que eleva o orçamento militar em US$ 500 bilhões.
A proposta amplia o orçamento de defesa para cerca de US$ 1,5 trilhão, frente a aproximadamente US$ 1 trilhão em 2026. O aumento ocorre em meio à guerra contra o Irã e inclui reajustes salariais entre 5% e 7% para militares, além de novos investimentos em sistemas de defesa, construção naval e expansão da presença militar dos Estados Unidos no exterior.
Segundo a Casa Branca, o nível de financiamento se aproxima dos aumentos históricos registrados antes da Segunda Guerra Mundial. Entre os projetos destacados está o controverso sistema de defesa antimísseis “Golden Dome”, além da construção de 34 novos navios de combate e apoio, com investimentos de US$ 65,8 bilhões, incluindo submarinos e embarcações da chamada classe “Trump”.
Enquanto reforça o setor militar, o plano prevê cortes profundos em diversas áreas civis. O orçamento da Agência de Proteção Ambiental (EPA) seria reduzido em 52%, o do Departamento de Agricultura em 19% e o da área de saúde em 12,5%. A NASA também seria fortemente afetada, com uma redução de 23%, incluindo um corte de US$ 3,6 bilhões em programas científicos, o que levaria ao cancelamento de cerca de 40 iniciativas.
Os cortes também atingem políticas de energia verde e programas considerados pela administração como “desperdício” ou ideologicamente orientados. Entre eles está a eliminação de quase 30 programas do Departamento de Justiça e o fim de iniciativas como o financiamento de US$ 315 milhões ao National Endowment for Democracy.
A proposta surge em um contexto de forte pressão fiscal. Apesar das promessas de Trump de reduzir o déficit, os Estados Unidos continuam enfrentando um desequilíbrio crescente nas contas públicas. O Congressional Budget Office projeta um déficit de US$ 1,853 trilhão para o atual ano fiscal, acima dos US$ 1,775 trilhão registrados anteriormente. A dívida pública já ultrapassa US$ 39 trilhões.
Mesmo com o discurso de austeridade, o plano evita enfrentar os maiores componentes do gasto federal obrigatório, como a Previdência (Social Security) e o sistema de saúde para idosos (Medicare), considerados politicamente sensíveis.
A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, onde deve enfrentar forte resistência, especialmente entre parlamentares democratas. O senador Jeff Merkley criticou duramente o plano, afirmando que se trata de “um apelo desconectado por mais dinheiro para armas e bombas, e menos para as necessidades reais da população, como moradia, saúde, educação, infraestrutura e proteção ambiental”.
Especialistas em orçamento também demonstraram ceticismo em relação à viabilidade do plano. Maya MacGuineas, presidente do Committee for a Responsible Federal Budget, afirmou que o projeto é “leve em detalhes e pesado em endividamento”, sustentado por projeções econômicas excessivamente otimistas.
Além dos cortes e do aumento militar, o orçamento inclui recursos para reforçar a segurança interna e a política migratória, com US$ 2,2 bilhões destinados a operações de imigração, ampliação de centros de detenção e contratação de agentes. Também estão previstos investimentos em infraestrutura aeroportuária e contratação de controladores de tráfego aéreo.
Entre iniciativas consideradas prioritárias pelo presidente estão ainda US$ 152 milhões para reativar a antiga prisão de Alcatraz e um fundo de US$ 10 bilhões para projetos de revitalização urbana em Washington, D.C.
A proposta reflete não apenas as prioridades econômicas e estratégicas do governo, mas também sua agenda política às vésperas das eleições legislativas de 2026, nas quais Trump busca manter a maioria republicana no Congresso.


