Tucker Carlson afirma que guerra contra o Irã atende a interesses de Israel e cobra retirada imediata dos EUA
No terceiro dia do conflito, comentarista diz que decisão partiu de Netanyahu, critica elite de Washington e alerta para risco de crise global
247 – No terceiro dia da guerra contra o Irã, o comentarista norte-americano Tucker Carlson publicou um longo vídeo em seu canal no YouTube no qual sustenta que o conflito não foi iniciado por razões de segurança nacional dos Estados Unidos, mas por pressão direta do governo de Israel. Ao organizar sua análise em torno de quatro perguntas — por que a guerra começou, qual é seu objetivo, para onde ela pode evoluir e como os EUA deveriam responder — Carlson defendeu que Washington precisa rever imediatamente sua posição e encerrar seu envolvimento.
Logo no início, ele afirma que, diante de um evento “que pode mudar a história do mundo”, é fundamental buscar clareza. Segundo Carlson, “isso aconteceu porque Israel queria que acontecesse. Esta é a guerra de Israel. Esta não é a guerra dos Estados Unidos”. Para ele, o conflito não foi motivado por interesses estratégicos americanos nem por uma ameaça nuclear iminente do Irã, mas por um projeto político defendido há décadas pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Decisão política e disputa de narrativas
Carlson sustenta que dizer isso abertamente no começo do conflito é essencial para evitar que, no futuro, a história seja recontada sob outra versão. Ele argumenta que guerras costumam ser reinterpretadas ao longo do tempo e que mentiras repetidas acabam se tornando consenso.
“Você não sabe o que o futuro vai acreditar sobre o presente. Você não sabe como a história será escrita”, afirma. Na sua avaliação, a pressão por uma mudança de regime em Teerã teria sido defendida reiteradamente por Netanyahu junto à Casa Branca. “Os Estados Unidos não tomaram a decisão aqui. Benjamin Netanyahu tomou”, diz.
O comentarista também rejeita a tese de que a ofensiva tenha sido motivada por uma ameaça nuclear iminente. “Eles não estavam à beira de conseguir armas nucleares. (…) Se isso fosse realmente sobre isso, como essa ameaça poderia ter durado 40 anos?”, questiona.
Hegemonia regional como objetivo
Ao discutir o que estaria por trás da estratégia israelense, Carlson afirma que o objetivo central seria a hegemonia regional. “O ponto é hegemonia regional. Super simples”, declara. Segundo ele, Israel buscaria consolidar poder absoluto no Oriente Médio, removendo adversários estratégicos como o Irã e enfraquecendo qualquer força capaz de impor limites às suas ações.
Ele reconhece que o Irã financia grupos armados hostis a Israel, como Hezbollah, Hamas e os Houthis, mas afirma que a lógica do conflito vai além disso. Para Carlson, trata-se de uma disputa clássica entre potências por primazia geopolítica, e não de uma guerra moral entre “bem” e “mal”.
Impacto sobre Estados do Golfo e Europa
No vídeo, Carlson amplia a análise e sustenta que o conflito atinge diretamente os Estados do Golfo — como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Bahrein —, além da Europa. Ele argumenta que a instabilidade na região ameaça infraestrutura energética vital para a economia global e pode gerar consequências econômicas severas, incluindo inflação e crises de abastecimento.
Segundo ele, um dos efeitos mais imediatos seria o impacto sobre o fornecimento de gás natural liquefeito do Catar, essencial para países europeus. Além disso, alerta para o risco de uma nova onda de refugiados caso o Irã mergulhe em caos interno.
Críticas à política externa dos EUA
Carlson afirma que a liderança política em Washington, tanto democratas quanto republicanos, apoiaria majoritariamente a escalada militar, mesmo sem amplo respaldo popular. Ele critica declarações de autoridades americanas que minimizam a possibilidade de envio de tropas terrestres, sugerindo que mudanças de regime não podem ser alcançadas apenas por ataques aéreos.
Para ele, o envolvimento prolongado dos EUA tende a gerar mais instabilidade, mortes e desgaste político interno. “Declarar vitória e ir para casa” seria, em sua visão, o caminho mais prudente para evitar uma escalada imprevisível.
Risco de ampliação do conflito
O comentarista também alerta para o risco de uma escalada que envolva armas mais sofisticadas ou até armamentos nucleares, caso Israel se sinta ameaçado de forma existencial. Ele menciona ainda a sensibilidade extrema em torno de locais religiosos em Jerusalém, cujo eventual ataque poderia desencadear um conflito religioso de proporções globais.
Política doméstica e desclassificação de documentos
Além da dimensão militar, Carlson afirma que o conflito agrava divisões internas nos Estados Unidos e intensifica a desconfiança pública em relação ao governo. Ele defende a desclassificação de documentos históricos — incluindo arquivos sobre o assassinato de John F. Kennedy e os ataques de 11 de setembro — como forma de restaurar a confiança institucional.
Na sua avaliação, a falta de transparência alimenta suspeitas e teorias conspiratórias, corroendo a coesão nacional.
Críticas a lideranças religiosas e tom final
Em parte final do vídeo, Carlson aborda o papel de líderes religiosos norte-americanos que apoiam a guerra. Ele critica sermões que, segundo ele, justificam violência em nome da fé cristã. Citando um trecho de uma oração atribuída a John Henry Newman, ele encerra defendendo uma visão de paz e prudência.
“Nenhuma espada é erguida senão a espada da justiça, nenhuma força é conhecida senão a força do amor”, cita.
Ao concluir, Carlson reafirma sua posição de que os Estados Unidos devem interromper imediatamente seu envolvimento direto no conflito e priorizar a proteção de seus cidadãos e interesses nacionais. Para ele, prolongar a guerra no Oriente Médio aumentará os riscos globais e aprofundará divisões internas sem trazer ganhos estratégicos claros para o país.


