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Lula exalta potencial de crescimento do comércio com a Indonésia

Em visita de Estado a Jacarta, presidente reforça compromisso com o diálogo, o multilateralismo e novos acordos econômicos com o país asiático

Lula na Indonésia (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta quinta-feira (23) sua agenda oficial no Sudeste Asiático com uma visita de Estado à Indonésia. A cerimônia de recepção ocorreu no Palácio Merdeka, em Jacarta, onde o presidente foi recebido com honras militares e civis pelo chefe de Estado indonésio, Prabowo Subianto. O encontro marca o início de uma série de compromissos que Lula cumprirá na região até o fim de outubro.

A reunião entre os dois líderes resultou na assinatura de diversos acordos e memorandos de entendimento em áreas estratégicas, incluindo agricultura, energia, mineração, ciência e tecnologia, além de parcerias comerciais e educacionais.

Expansão do comércio bilateral

Durante o discurso, Lula destacou o potencial econômico entre Brasil e Indonésia e afirmou que ambos os países “têm plenas condições de mostrar ao mundo a capacidade de defender interesses econômicos com diálogo e respeito mútuo”. O presidente ressaltou o crescimento das relações comerciais nas últimas décadas, mas considerou o volume atual ainda insuficiente.

“Nas últimas duas décadas, nosso comércio cresceu mais de três vezes, de dois bilhões para seis bilhões e meio de dólares. Eu disse ao presidente Subianto que é quase inexplicável como Brasil e Indonésia, que juntos somam quase 500 milhões de habitantes, só tenham um comércio de seis bilhões de dólares. É pouco para a Indonésia, é pouco para o Brasil”, afirmou Lula.

Novos acordos e inovação tecnológica

Os novos acordos firmados incluem cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias, certificações agrícolas e avanços em inteligência artificial e centros de dados. “Venho para cá com muita expectativa de renovarmos a parceria estratégica, estabelecer novos acordos não apenas em comércio bilateral, mas em coisas novas, como a questão da inteligência artificial, dos datacenters e o aperfeiçoamento científico e tecnológico entre nossas universidades”, destacou o presidente brasileiro.

Entre os signatários dos documentos estão os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Carlos Fávaro (Agricultura), além dos presidentes do IBGE, Márcio Pochmann, e da ApexBrasil, Jorge Vianna. Também foram celebradas parcerias entre empresas privadas dos dois países.

Cooperação Sul-Sul e multilateralismo

Em seu discurso, Lula reforçou a importância de uma política comercial equilibrada e contrária ao protecionismo. “Nós queremos multilateralismo e não unilateralismo. Queremos democracia comercial e não protecionismo. Queremos crescer, gerar empregos — empregos de qualidade, porque é para isso que fomos eleitos”, afirmou.

O presidente indonésio, Prabowo Subianto, classificou a visita como uma grande honra e destacou o papel estratégico da parceria entre os dois países no contexto do Sul Global. Ele também demonstrou interesse em incentivar o ensino da língua portuguesa na Indonésia, com o objetivo de facilitar a comunicação e o intercâmbio econômico entre as nações.

Relações históricas e novos rumos

A visita de Lula é a primeira de um chefe de Estado brasileiro à Indonésia desde 2008, quando foi criada a Parceria Estratégica Brasil–Indonésia. Desde então, o relacionamento bilateral vem se fortalecendo, com destaque para a visita de Subianto ao Brasil em julho deste ano, durante a Cúpula do BRICS e, posteriormente, na Cúpula do G20 em 2024.

A Indonésia figura entre os principais parceiros comerciais do Brasil na Ásia, sendo o 16º maior destino das exportações brasileiras e o 5º no setor do agronegócio. Em 2024, o comércio bilateral atingiu US$ 6,3 bilhões, com destaque para as exportações de farelo de soja e açúcar, que representaram 74% do total.

Próximas etapas da viagem presidencial

A passagem de Lula pela Indonésia é parte de uma ampla agenda no Sudeste Asiático que se estende até 28 de outubro. Após dois dias em Jacarta, o presidente segue para Kuala Lumpur, na Malásia, onde participará da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e de reuniões paralelas com líderes regionais.

As relações com a ASEAN representam um dos eixos prioritários da política externa brasileira para o fortalecimento do diálogo com o Sudeste Asiático. O comércio entre o Brasil e o bloco cresceu de US$ 3 bilhões em 2002 para US$ 37 bilhões em 2024, consolidando o grupo como o quinto maior parceiro comercial do país e responsável por cerca de 20% do superávit da balança comercial brasileira.

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