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Lula mantém Jaques Wagner no Senado e rejeita acusação de traição após derrota de Messias no STF

Presidente se irritou com aliados que responsabilizaram o líder do governo pela rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao Supremo

Jaques Wagner e Presidente Lula (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Ricado Stuckert / PR)

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado, mesmo após a derrota histórica da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi publicada pelo jornal O Globo.

Messias recebeu 34 votos favoráveis no plenário do Senado, sete a menos do que os 41 necessários para sua aprovação. O resultado representou um duro revés para o governo e abriu uma crise política no entorno presidencial.

Logo após a votação, Wagner passou a ser alvo de críticas de integrantes do governo e do PT. Aliados chegaram a atribuir ao senador a responsabilidade pelo resultado, sob a acusação de que ele teria dado a Lula um diagnóstico equivocado sobre os votos disponíveis para aprovar Messias.

Segundo a reportagem, Lula demonstrou irritação com a tentativa de associar Wagner a uma suposta traição. O presidente rejeitou a versão de que o líder do governo teria atuado ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para derrotar a indicação de Messias.

Após a votação, Lula chamou Wagner para uma conversa no Palácio da Alvorada. Também participaram do encontro Jorge Messias, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

A relação entre Lula e Wagner pesa na decisão presidencial. Os dois são amigos há mais de 40 anos, e o senador baiano é considerado um dos petistas mais próximos do presidente, com trânsito livre no gabinete presidencial.

Desde a indicação de Messias ao STF, Wagner já vinha enfrentando dificuldades de interlocução com Davi Alcolumbre. Ainda assim, não perdeu a confiança de Lula após a derrota no Senado.

Críticos internos afirmaram que o senador não teria atuado de forma efetiva pela aprovação de Messias e que tranquilizou o governo com previsões equivocadas. Durante a sabatina, nos corredores do Senado, Wagner chegou a estimar inicialmente uma aprovação por 45 votos. Mais tarde, já próximo da votação, passou a prever 41 votos, exatamente o mínimo necessário.

A crise ganhou força com a divulgação de um vídeo de uma interação entre Davi Alcolumbre e Jaques Wagner momentos antes da abertura do painel de votação. Na gravação, o presidente do Senado disse a Wagner que Messias perderia por oito votos. A cena foi usada por adversários do líder governista como sinal de que Alcolumbre tinha uma leitura mais precisa do placar do que o próprio governo.

Mesmo diante das críticas, Lula optou por preservar Wagner. Nesta semana, o senador está em viagem à China, onde acompanha a orquestra Neojiba, da Bahia, e deve visitar a BYD.

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