Senado não deve impedir avanço do fim da escala 6x1
Davi Alcolumbre sinalizou que não deve ser o opor à proposta mesmo após acordão com bolsonaristas e ala do STF
247 - A proposta que prevê o fim da escala 6x1 deve avançar no Senado após a conclusão da análise na Câmara dos Deputados, em meio à expectativa do governo de que o texto chegue à Casa ainda neste semestre e possa ser votado em curto prazo.
Segundo informações da CNN Brasil, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem sinalizado a interlocutores que está disposto a analisar a PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1. A manifestação ocorreu depois de o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a apuração, Alcolumbre afirmou a aliados que pretende colocar a proposta em votação depois que a Câmara dos Deputados avançar com o texto. Entre integrantes do governo e senadores da base, a avaliação é de que, superada a etapa na Câmara, a PEC terá condições de chegar ao Senado ainda neste semestre.
A movimentação acontece em um momento de incerteza na relação entre o Palácio do Planalto e Alcolumbre. O desgaste aumentou após a rejeição de Messias ao STF e também após a derrubada do veto sobre o PL da Dosimetria, embora esse segundo episódio tenha provocado impacto político menor.
Articulação entre Planalto e Senado
A derrota na votação de Messias expôs fragilidades na articulação política do governo e ampliou a desconfiança no entorno do presidente Lula. Nos bastidores, aliados passaram a levantar suspeitas sobre uma articulação entre a cúpula do Senado, a oposição e o STF para barrar o indicado do Planalto.
Apesar do mal-estar, Alcolumbre tem adotado um tom mais conciliador ao tratar da crise recente com o governo. A interlocutores, o presidente do Senado afirmou que ainda aguarda uma conversa direta com Lula para encerrar o episódio envolvendo a indicação de Jorge Messias.
Na avaliação atribuída a Alcolumbre, o assunto já estaria superado do ponto de vista político. A leitura de aliados é que a votação produziu uma espécie de equilíbrio de forças entre os dois lados. A rejeição de Messias, somada à decisão de Lula de não apoiar o nome de Rodrigo Pacheco (PSB), teria criado uma compensação na disputa.
Entre aliados, a expressão usada é que os dois lados teriam ficado “quites”, o que reduziria a chance de a crise escalar. Ainda assim, Lula avalia qual reação adotará diante da derrota no Senado.
Dentro do PT, há quem defenda uma resposta mais dura, com a demissão de nomes ligados a Alcolumbre que ocupam espaço no governo e a retomada de um discurso de enfrentamento ao Congresso Nacional. Outra ala do governo, porém, recomenda cautela, sob o argumento de que uma reação mais agressiva poderia enfraquecer ainda mais Lula no processo político.
Esse grupo avalia que um conflito aberto com o centrão poderia gerar efeitos negativos para o governo e impulsionar uma debandada de apoio em direção à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
PEC está em análise na Câmara
Na Câmara dos Deputados, a PEC que propõe o fim da escala 6x1 está em análise em uma comissão especial. O cronograma prevê a apresentação de um relatório preliminar em 21 de maio. A votação do parecer deve ocorrer entre os dias 25 e 26 do mesmo mês.
A intenção dos articuladores da proposta é concluir essa etapa ainda em maio, no contexto do Mês do Trabalhador. Caso o calendário seja mantido, a expectativa é que o Congresso avance para a promulgação da proposta antes do período eleitoral.
Além do alinhamento com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para acelerar a tramitação, ministros palacianos avaliam que a proposta tem forte apelo popular. No governo, a percepção é que o fim da escala 6x1 dificilmente será rejeitado em ano eleitoral.
Lula tem tratado a mudança na jornada de trabalho como uma das principais bandeiras do governo para as eleições de outubro. Na quinta-feira (30), véspera de 1º de maio, o presidente afirmou em pronunciamento em rede nacional que o objetivo é dialogar diretamente com quem “move” o país e defendeu mudanças na jornada de trabalho.
O discurso do governo deve associar a aprovação da PEC à necessidade de garantir mais tempo ao trabalhador, não apenas para descanso, mas também para convivência com a família. A estratégia busca ampliar o alcance popular da proposta e reforçar sua conexão com a agenda social do Planalto.
Apesar da crise aberta pela rejeição de Messias ao STF, aliados de Lula e de Alcolumbre acreditam que a votação da PEC está preservada. A abertura demonstrada pelo presidente do Senado em relação ao texto é vista como um possível gesto para reorganizar a relação com o governo e reduzir o desgaste político entre as duas partes.


