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Pimenta cobra CPI do Banco Master e nega acordão após rejeição de Messias

Líder do governo na Câmara diz que Congresso precisa dar “máximo de visibilidade” ao caso e afirma que indicação ao STF é prerrogativa de Lula

Deputado Paulo Pimenta (PT-RS) em pronunciamento à bancada - 23 de fevereiro de 2026 (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

247 – Após a rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), defendeu a instalação de CPIs no Senado e na Câmara para investigar o caso do Banco Master.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Pimenta afirmou que o Congresso precisa demonstrar à sociedade que a derrota de Messias não fez parte de “um grande acordão” para impedir o avanço das apurações envolvendo a instituição financeira.

“Temos que fazer gestos para mostrar para o Brasil que não houve um grande acordão para abafar a investigação do Banco Master”, afirmou o deputado.

Segundo ele, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, deveriam instalar comissões parlamentares de inquérito sobre o caso.

“A gente mostrar ao Brasil que não houve um grande acordão envolvendo vários setores institucionais do país para evitar uma investigação tão grave e tão séria como essa”, disse.

Pimenta também questionou os interesses que teriam atuado contra Messias. “O que explica a não aprovação do Messias? Que interesses são esses que se movimentaram?”, indagou.

Para o líder do governo, a rejeição não pode ser lida apenas como uma derrota do Palácio do Planalto. “Não é uma derrota do governo. É ruim pro Brasil”, afirmou.

Ele argumentou que o Senado havia aprovado anteriormente Flávio Dino e Cristiano Zanin para o STF e que Messias reunia trajetória jurídica e reputação para ocupar a Corte.

“Para preservar o Senado, o Congresso, a melhor coisa que nós devemos fazer neste momento é garantir o máximo de visibilidade, o máximo de informação para sociedade”, disse.

Pimenta negou que o PT tenha envolvimento no caso e afirmou que o governo quer afastar qualquer suspeita de troca política. “Nós queremos mostrar para o Brasil que o Messias não é o preço cobrado para não investigar o banco”, declarou.

As investigações citadas na reportagem apontam relações do Banco Master com políticos da Bahia, incluindo nomes ligados ao PT, ao Centrão e à oposição. O texto também registra que Lula recebeu, em dezembro de 2024, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, em reunião no Palácio do Planalto não registrada na agenda oficial.

Sobre a sucessão da vaga no STF, Pimenta disse que Lula deve fazer nova indicação. “Esse capítulo, essa página foi encerrada. A partir de agora a gente vai para o próximo capítulo”, afirmou.

“O presidente não pode abrir mão da sua prerrogativa, não pode abrir mão da sua autoridade institucional, claro que deve indicar”, completou.

O líder do governo também minimizou impactos da crise na relação com a Câmara. Segundo ele, não há “nenhuma alteração substancial” na relação com os partidos da base.

“O governo não pode se mover por sentimentos dessa natureza. O governo se move pelo interesse nacional, pela necessidade de governar, pela aprovação dos seus projetos”, afirmou.

Pimenta disse ainda que Lula está focado nas pautas prioritárias no Congresso, entre elas o projeto sobre minerais críticos, o fim da escala 6x1 e uma proposta sobre combustíveis.

Sobre a redução da jornada de trabalho, o deputado defendeu que a Câmara aprove um texto próximo ao enviado pelo governo. “Se a gente não conseguir fazer isso em tempo hábil, vamos votar o projeto de lei que veio do presidente Lula”, disse.

Ele também rejeitou a ideia de uma transição longa para o fim da escala 6x1. “A patroa tem que se acostumar a que não vai ter empregada no sábado, é essa a transição que a gente precisa”, afirmou.

“Primeiro a sociedade brasileira tem que responder o seguinte: o Brasil está pronto para acabar com a escala 6x1?”, concluiu.

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