HOME > Brasília

Alessandro Vieira acusa Flávio Bolsonaro de 'blindar' ministros do STF

Vieira diz que Flávio Bolsonaro tenta desviar o foco da CPI que visa investigar possíveis relações entre Toffoli, Moraes e Vorcaro, do Master

Flávio Bolsonaro e Alessandro Vieira (Foto: Lula Marques/Agência Brasil | Geraldo Magela/Agência Senado)

247 - O debate sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master provocou novo embate entre parlamentares no Senado. Autor do requerimento que propõe a investigação, o senador Alessandro Vieira (MDB) criticou a iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL) de ampliar o escopo da comissão e incluir outros integrantes do governo federal entre os possíveis alvos da apuração.

A proposta original apresentada por Vieira pretende investigar supostas relações pessoais e financeiras envolvendo os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e a instituição financeira ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. O pedido foi protocolado na terça-feira (10) e ganhou repercussão após Flávio Bolsonaro apresentar um aditamento que amplia a lista de investigados, incluindo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Em declaração a Paulo Cappelli, do Metrópoles, Vieira criticou a proposta de ampliação apresentada pelo senador do PL e afirmou que a iniciativa poderia comprometer o foco das investigações. Segundo ele, a manobra teria como objetivo desviar a atenção da CPI. “O senador Flávio Bolsonaro repete o que ele fez em 2019: tenta evitar a investigação de ministros do STF criando tumulto. É uma prática que ele repete nesses sete anos de mandato como senador da República e que vai na direção contrária ao discurso público que a família prega. Ou se limita o objeto e se faz uma investigação séria ou cai naquele vácuo de tumulto que interessa a esse tipo de pessoa”, declarou o parlamentar.

Pelo X, Vieira ainda provocou: "Alguém consegue explicar por que o Flávio Bolsonaro ficou tão nervoso com uma CPI que vai investigar a conduta dos ministros Toffoli e Moraes? Que ele protege os ministros, por covardia ou conveniência, a gente já sabia desde 2019, quando ele foi contra a CPI da Toga e o impeachment, mas porque esse desespero tão grande agora?".

A proposta de CPI apresentada por Vieira surge após desdobramentos do chamado Caso Master, que envolve o banco controlado por Daniel Vorcaro. O objetivo do requerimento é investigar eventuais relações institucionais ou pessoais que possam ter envolvido integrantes da Suprema Corte e o grupo financeiro.

Já no pedido de aditamento protocolado por Flávio Bolsonaro, o senador solicita a ampliação das investigações para incluir “possíveis relações institucionais, pessoais, financeiras ou de outra natureza” entre autoridades públicas e o Banco Master. A iniciativa também menciona a necessidade de examinar encontros e interações envolvendo representantes do governo federal e o controlador da instituição.

No documento, o senador afirma que a ampliação do escopo busca esclarecer episódios que poderiam ter relação com a atuação de autoridades públicas. Entre os pontos citados está uma reunião realizada em dezembro de 2024 entre Daniel Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto que não teria sido registrada em agenda oficial.

A disputa em torno da CPI evidencia divergências políticas sobre o alcance das investigações e tende a ampliar o debate no Congresso Nacional sobre a relação entre autoridades públicas, o sistema financeiro e o papel de fiscalização do Parlamento.

Artigos Relacionados