HOME > Brasília

Em artigo contundente, Leandro Grass diz que Celina Leão age com má-fé ou ignorância no caso do BRB

Ex-deputado afirma que a governadora desconhece ou finge desconhecer a lei, e parece tentar jogar a responsabilidade da crise no governo Lula

Celina Leão, deputada distrital (Foto: Andressa Anholete / 247)

Em artigo publicado no Brasil 247, o professor, sociólogo e ex-deputado distrital Leandro Grass faz críticas contundentes à governadora do Distrito Federal, Celina Leão. No texto, o ex-presidente do IPHAN analisa o cenário que envolve a necessidade urgente de capitalização do BRB e acusa o Governo do Distrito Federal (GDF) de falhas graves na condução do processo.

Segundo Grass, desde o fim de 2025 já era de conhecimento público que o Banco Central passou a exigir a recomposição do capital social do BRB. A medida teria sido motivada por irregularidades em gestões anteriores, especialmente envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master durante a administração do ex-governador Ibaneis Rocha, quando Celina ocupava o cargo de vice. O episódio também envolve o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, atualmente preso preventivamente.

Diante desse cenário, Grass afirma que, considerando a limitação fiscal do Distrito Federal, a alternativa mais viável para capitalizar o banco seria a contratação de um empréstimo com garantia da União, operação que exige cumprimento rigoroso da legislação fiscal.

O ponto central das críticas recai sobre a forma como o GDF conduziu a tentativa de viabilizar esse crédito. De acordo com Grass, a governadora Celina encaminhou um ofício direto ao Ministério da Fazenda solicitando apoio, em vez de seguir o procedimento formal exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Pelas regras vigentes, explica o autor, estados e o Distrito Federal devem protocolar um Pedido de Verificação de Limites e Condições (PVL) junto à Secretaria do Tesouro Nacional. Esse processo avalia a capacidade de pagamento do ente federativo e verifica o cumprimento de limites de endividamento antes de autorizar operações com garantia da União.

“O Tesouro Nacional não autoriza operação de crédito por ofício. Essa figura simplesmente não existe na legislação”, afirma Grass no texto.

O ex-deputado apresenta duas possíveis explicações para a escolha do governo local. Poeria ser desconhecimento técnico, o que indicaria falhas na condução da Secretaria de Economia ou estratégia política, com o objetivo de transferir a responsabilidade à União em caso de negativa, especialmente em um contexto eleitoral.

Celina poderia estar preparando terreno para o argumento de que tem sido perseguida e de descaso com o Distrito Federal.

Grass não afirma qual das hipóteses seria a correta, mas ressalta que ambas levantam preocupações sobre a gestão pública: despreparo ou má-fé.

Independentemente do desfecho, o autor argumenta que o prejuízo às finanças do Distrito Federal já é inevitável. Segundo ele, a responsabilidade do governo como acionista controlador implicará aumento da dívida pública.

Ainda assim, Grass defende que a continuidade do BRB é o cenário menos prejudicial. Para ele, manter o banco permitiria ao GDF preservar um instrumento estratégico de desenvolvimento econômico e, no longo prazo, recuperar parte dos recursos por meio de dividendos.

O artigo também enfatiza a urgência da situação. Sem o cumprimento dos trâmites legais — incluindo aprovação do Tesouro Nacional e do Senado Federal — não há como viabilizar o crédito necessário, o que coloca em risco a própria operação do banco.

Por fim, Grass defende que, além da capitalização, é essencial apurar responsabilidades pelas irregularidades apontadas. Ele destaca que o processo deve garantir o direito à ampla defesa, mas resultar na responsabilização de gestores públicos e agentes do mercado que tenham contribuído para a crise.

A análise reforça o clima de pressão sobre o governo do Distrito Federal, que agora enfrenta não apenas um desafio financeiro, mas também questionamentos sobre sua capacidade técnica e política de conduzir uma das instituições mais importantes da capital do país.

Artigos Relacionados