Flávio Bolsonaro é orientado a explorar o tema das facções após decisão dos EUA sobre PCC e CV
Aliados orientaram o senador da extrema direita a explorar o debate na área da segurança pública para se distanciar do caso Master
247 - Jair Bolsonaro (PL) orientou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a explorar politicamente a pauta das facções criminosas depois que o governo dos Estados Unidos decidiu classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A avaliação, segundo aliados, é que o tema da segurança pública pode ajudar a reposicionar a pré-campanha presidencial do parlamentar e reforçar críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada pelo jornal O Globo.
O campo progressista brasileiro denuncia que a iniciativa dos EUA tem como objetivo uma tentativa de interferência no Brasil e, por consequência, a violação da soberania nacional. A orientação a Flávio sobre o tema da segurança foi dada na manhã desta sexta-feira, durante encontro no condomínio Solar de Brasília, onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista. A reunião durou cerca de 30 minutos e ocorreu um dia depois do retorno do senador de Washington e poucas horas antes de o parlamentar viajar para Curitiba, onde cumpriria agenda política.
A possível exploração do tema da segurança pública seria uma forma de Flávio Bolsonaro se afastar do desgaste provocado pelos escândalos do Banco Master. Conforme reportagem publicada no último dia 13, o senador negociou diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões para investir no filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro.
O encontro entre pai e filho em Brasília funcionou como uma prestação de contas da viagem de Flávio a Washington. O senador relatou ao pai detalhes da conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de apresentar avaliações sobre os próximos passos da pré-campanha, os palanques estaduais e a disputa pelo Senado no Rio de Janeiro.
De acordo com interlocutores, Flávio disse que Trump perguntou sobre Bolsonaro, quis saber de sua situação e demonstrou interesse pelo momento vivido pelo ex-presidente. Aliados afirmam que Bolsonaro avaliou a viagem como positiva e ficou especialmente animado com a decisão anunciada pelos Estados Unidos sobre as duas maiores facções criminosas do Brasil.
Na conversa, Bolsonaro defendeu que o filho utilizasse politicamente o episódio para intensificar críticas ao governo Lula na área de segurança pública. O tema é considerado por aliados um dos campos mais favoráveis ao bolsonarismo e pode recolocar o debate político em um terreno historicamente associado à direita.
Eleições no Rio
Além da estratégia nacional, Bolsonaro e Flávio discutiram um dos principais impasses eleitorais do grupo: a definição do nome que representará o bolsonarismo na disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro. Com a desistência do governador Cláudio Castro de concorrer a uma vaga, lideranças do PL passaram a avaliar alternativas para a corrida eleitoral no estado.
Segundo interlocutores, os nomes dos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) foram discutidos. Bolsonaro teria avaliado que Sóstenes chegaria mais preparado à disputa, em razão da experiência acumulada na liderança do partido na Câmara dos Deputados e da proximidade com a direção nacional do PL. Flávio, porém, ponderou que o parlamentar tem demonstrado resistência em aceitar a candidatura.
Carlos Jordy também foi mencionado na conversa. Aliados afirmam que o deputado segue sendo visto como um dos principais quadros eleitorais do bolsonarismo no Rio de Janeiro e mantém apoio de parcelas relevantes da militância. Nos bastidores, seu nome é tratado como um aceno ao eleitorado mais identificado com o bolsonarismo raiz.
Nenhuma decisão foi anunciada durante a reunião. O tema deverá voltar à pauta depois da agenda de Flávio em Curitiba, onde o senador tem compromissos políticos ao lado de Sergio Moro (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). A expectativa de aliados é que uma nova conversa com Bolsonaro ocorra ainda neste fim de semana.
A reunião também tratou de outros estados considerados estratégicos para o projeto presidencial de Flávio. O senador atualizou o pai sobre negociações em andamento em locais onde a montagem dos palanques ainda enfrenta dificuldades, entre eles Minas Gerais. O PL avalia lançar candidatura própria no estado e ofereceu a vaga de vice ao Republicanos.
Flávio está autorizado a visitar Bolsonaro diariamente por atuar como advogado constituído do pai no processo que levou à prisão domiciliar. Pelas regras estabelecidas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, os encontros podem ocorrer entre 8h20 e 18h, com duração máxima de 30 minutos.



