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Investigação revela mensagem de Vorcaro sobre reunião com “Alexandre Moraes”

Segundo mensagens interceptadas pela PF, o banqueiro disse à própria noiva que ele iria se encontrar com “Alexandre Moraes” perto de casa

Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)

247 - O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou ter se encontrado com uma pessoa chamada “alexandre moraes”. A Polícia Federal interceptou a conversa. O diálogo ocorreu entre Vorcaro e sua então noiva Martha Graeff em abril de 2025. Os relatos foram publicados nesta quarta-feira (4) na coluna de Tácio Lorran. A esposa do magistrado, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.

Uma das menções a “alexandre moraes” aconteceu às 17h22 do dia 19 de abril de 2025. “To indo encontrar alexandre moraes aqui perto de casa”, relatou Vorcaro. Martha Graeff respondeu: “Como assim amor / Ele está em Campos???? / Ou foi pra te ver?”. “Ele ta passando feriado”, pontuou ela.

A segunda menção ocorreu 10 dias depois. Vorcaro afirma, às 22h48 do dia 29/4, à noiva dela que “to aqui nossa casa” e fez uma ligação de vídeo com a mulher. Martha perguntou: “Quem era o primeiro cara?” Vorcaro responde: “Alexandre moraes”.

“Morri”, continuou Martha. “Ele gostou da casa amor!?? / Tá muito mais astral”. “Sin / Falou que e bem melhor / E ele adorava apto”, disse o banqueiro. Depois a noiva brinca: “Falou pra te agradar / Que vergonha eu tava de pijama”.

Investigação

As detenções de Daniel Vorcaro e de seu cunhado ocorreram durante a terceira etapa da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, além de um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionado à comercialização de títulos de crédito falsos.

As apurações também envolvem irregularidades no Banco Master que, segundo a investigação, teriam provocado um prejuízo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, responsável por ressarcir investidores. No ano passado, o empresário chegou a ser alvo de um mandado de prisão, mas posteriormente obteve liberdade provisória com a obrigação de usar tornozeleira eletrônica.

A nova ordem de prisão teve como base mensagens encontradas no telefone celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da operação. De acordo com os investigadores, o conteúdo das conversas inclui ameaças direcionadas a jornalistas e a pessoas que teriam contrariado interesses de Vorcaro.

De acordo com investigadores, o banqueiro fez ameaças contra o jornalista Lauro Jardim e contra uma empregada doméstica. As investigações também apontaram que Vorcaro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. A PF disse, ainda, que o empresário invadiu sistemas da própria corporação, do MPF, do FBI e da Interpol.

Outro lado

Por meio de comunicado divulgado por sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de maneira equivocada e retiradas de seu contexto original. O empresário sustenta que, ao longo de sua carreira, sempre manteve uma relação institucional com veículos e profissionais da imprensa.

Na nota, o banqueiro declarou: “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”. Ele também afirmou: “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas”. Ainda no mesmo posicionamento, Vorcaro abordou as conversas citadas nas investigações. De acordo com ele, eventuais mensagens mais incisivas teriam ocorrido em âmbito privado e não teriam tido o propósito de intimidar.

O empresário afirmou: “Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”.

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