Lindbergh questiona encontro de Flávio Bolsonaro com Vorcaro: 'o que ele foi fazer lá? Qual era o grau de intimidade?'
O deputado levanta duas perguntas: o motivo da visita do senador ao banqueiro e a natureza da relação entre os dois. Vídeo
247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) questionou a visita feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na véspera de um anúncio político do parlamentar para disputar a presidência da República. Em postagem na rede social X, o petista cobrou explicação sobre o encontro e perguntou qual seria o grau de proximidade entre o filho de Jair Bolsonaro (PL) e o banqueiro, investigado pela Polícia Federal em um esquema de fraudes financeiras, que, segundo a corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões no País.
No centro da manifestação feita por Lindbergh estão duas perguntas levantadas pelo deputado: o motivo da visita e a natureza da relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. “Flávio Bolsonaro esteve com Vorcaro na véspera de ser anunciado candidato a presidente da República. Ele visitou Vorcaro no dia 04 de dezembro de 2025 e foi anunciado no dia 05 de dezembro. O que ele foi fazer lá? Qual era o grau de intimidade deles?”, escreveu Lindbergh.
A postagem de Lindbergh também foi publicada após a informação de que o senador Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões para ser investido em Dark Horse, filme que é uma biografia de Jair Bolsonaro.
A postagem também reforça o uso das redes sociais como espaço de pressão política e de disputa narrativa. Ao levar o questionamento ao X, Lindbergh ampliou a visibilidade do episódio e colocou a agenda de Flávio Bolsonaro com Vorcaro sob escrutínio público.
STF, Mario Frias, e emendas parlamentares
O banqueiro Daniel Vorcaro pagou R$ 61 milhões para serem aplicados na produção do filme. Conforme publicação do Notícias da TV, nesta quarta (20), Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp Entertainment, uma das responsáveis pelo longa-metragem, admitiu que o empresário foi o principal responsável pelo aporte financeiro do filme. Ela disse que a produção tem orçamento de R$ 65 milhões.
"Quando ele [Vorcaro] foi preso, a gente já estava filmando. Eu tinha folha de pagamento para pagar, eu já tinha profissionais para pagar. E nenhum deles sentiu o impacto porque todo mundo arregaçou as mangas. 'Gente, vamos ver onde a gente ajuda, quem pode apoiar'. Nossa vida todo dia era falar com pessoas da iniciativa privada que pudessem apoiar o nosso projeto", alegou Karina à GloboNews.
O Supremo Tribunal Federal também tenta intimar o deputado federal Mario Frias (PL-SP) em uma investigação sobre emendas parlamentares ligadas à ONG Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina. O STF apura repasses que somariam ao menos R$ 2 milhões.
O ministro Flávio Dino determinou, em 21 de março, prazo de cinco dias para que Frias respondesse à denúncia apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). A parlamentar acusa o deputado do PL de destinar recursos à ANC, organização relacionada a Karina, empresária que também aparece à frente de outras entidades e empresas citadas no caso.
O processo tramita no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854. A apuração examina supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas e entidades ligadas à produtora artística responsável por Dark Horse, obra sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Segundo a denúncia de Tabata Amaral, Mario Frias teria direcionado ao menos R$ 2 milhões à Academia Nacional de Cultura. A entidade tem Karina Ferreira da Gama na presidência. A empresária também comanda o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção do filme biográfico sobre Bolsonaro.
A obra Dark Horse tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros em meados de setembro, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições. O calendário do lançamento reforça a atenção sobre o caso, já que a investigação mira a relação entre recursos públicos, entidades culturais e empresas vinculadas à produção audiovisual.
Tentativas de intimação na Câmara
Os autos da ADPF nº 854 registram que a oficial de Justiça Federal encarregada de intimar Mario Frias esteve no gabinete do parlamentar, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em ao menos três ocasiões entre março e abril. Em todas as visitas, assessores parlamentares atenderam a servidora.
Ainda segundo os registros mencionados na investigação, os assessores informaram que Frias estaria em São Paulo, em compromissos de campanha. A oficial de Justiça relatou que os integrantes do gabinete não demonstraram “interesse em informar a agenda do parlamentar”.
A dificuldade para localizar o deputado ocorre após a ordem de Flávio Dino para que ele apresente resposta à denúncia de Tabata Amaral. O ministro do STF conduz a análise do pedido dentro do processo que discute transparência, controle e fiscalização sobre a aplicação de emendas parlamentares.
Entidades ligadas à produção
A investigação menciona a ANC, o ICB e a Go Up Entertainment no contexto das atividades de Karina Ferreira da Gama. A Academia Nacional de Cultura recebeu, segundo a denúncia, recursos indicados por Mario Frias. Já a Go Up Entertainment aparece como responsável por produzir Dark Horse.
O ponto central da apuração envolve a destinação das emendas e a eventual relação entre os repasses públicos e a rede de entidades e empresas associadas à empresária. O texto original não informa, até o momento, resposta de Mario Frias, de Karina Ferreira da Gama, da ANC, do ICB ou da Go Up Entertainment às acusações apresentadas no processo.
A denúncia de Tabata Amaral levou o STF a cobrar manifestação do deputado. Com a intimação ainda sem sucesso nas diligências relatadas, o caso segue em análise no Supremo, dentro da ADPF nº 854, que reúne medidas relacionadas ao controle de emendas parlamentares.



