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Vorcaro chegou a pagar R$ 74 milhões em propina a Paulo Henrique Costa antes da operação da PF

Investigação aponta uso de imóveis e estrutura financeira sofisticada para ocultar pagamentos ligados a negociações entre BRB e Banco Master

Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa (Foto: Banco Master/Divulgação / Felipe Gonçalves / Lide)

247 – O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, recebeu ao menos R$ 74 milhões em transações associadas a um esquema de pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles e constam da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Paulo Henrique nesta quinta-feira, 16 de abril.

De acordo com a investigação da Polícia Federal, os valores foram pagos por meio da negociação de seis imóveis, cujo montante total poderia chegar a R$ 146,5 milhões. A decisão do STF indica que o esquema só não foi concluído integralmente porque Vorcaro tomou conhecimento de uma apuração sigilosa. Segundo o ministro, o banqueiro “teve ciência da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina a Paulo Henrique por meio da aquisição e do repasse de imóveis”.

A PF identificou que os imóveis estavam vinculados a um chamado “cronograma pessoal” de Paulo Henrique Costa. Quatro deles ficam em São Paulo — Heritage, Arbórea, One Sixty e Casa Lafer — e dois em Brasília — Ennius Muniz e Valle dos Ipês. Os investigadores conseguiram rastrear pagamentos já realizados em valor superior a R$ 74 milhões, o que indica que parte significativa da operação já havia sido executada.

Segundo a decisão de André Mendonça, o esquema utilizava mecanismos sofisticados para ocultar a origem dos recursos e a titularidade dos bens. “Para operacionalizar o pagamento e ocultar a titularidade real dos bens, teriam sido mobilizados fundos de investimento geridos pela Reag, bem como empresas de fachada, atribuídas formalmente a interpostas pessoas, entre elas o cunhado de Daniel Monteiro”, registra o ministro.

A Polícia Federal detalha ainda que houve “pagamentos concretos superiores a R$ 74,6 milhões”, com destaque para desembolsos relacionados aos empreendimentos Heritage, One Sixty, Arbórea, Ennius Muniz e Valle dos Ipês. Para os investigadores, os imóveis funcionaram como instrumento de lavagem de dinheiro, permitindo disfarçar a origem dos valores e viabilizar o pagamento de propina de forma indireta.

A operação faz parte da quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro destinados ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. O caso aponta para a existência de uma estrutura financeira complexa, envolvendo fundos de investimento, empresas de fachada e intermediários, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos.

Também foi preso o advogado Daniel Monteiro, suspeito de atuar na montagem da engrenagem financeira utilizada para ocultar os valores. Segundo a PF, ele teria ligação direta com Paulo Henrique Costa e participação ativa nas negociações entre o BRB e o Banco Master.

A defesa do ex-presidente do BRB contesta as acusações. O advogado Cleber Lopes afirmou que Paulo Henrique “não cometeu crime algum” e classificou a prisão como “desnecessária”. A investigação, no entanto, segue avançando e deve aprofundar a análise sobre a participação dos envolvidos e a extensão do esquema revelado pela Polícia Federal.

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