“O clã Bolsonaro é uma corja de mafiosos”, critica Humberto Costa
Senador critica articulação bolsonarista com governo Trump após tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros
247 - O senador Humberto Costa (PT-PE) acusou o clã Bolsonaro de traição ao Brasil após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos anunciar uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros e citar o Pix em uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais.
O parlamentar publicou nesta terça-feira (2), na rede social X, uma crítica direta à família Bolsonaro e à articulação de seus integrantes com o governo Donald Trump.
“Vendilhões do Brasil - Lula disse o que o Brasil inteiro sente: o filho de Bolsonaro consegue ser pior que o pai. Foram rastejar pedindo que Trump se intrometesse nos assuntos do Brasil. O clã Bolsonaro é uma corja de mafiosos: traem o país e ainda pedem aplauso por isso”, escreveu o senador.
A declaração ocorreu depois de o Escritório de Comércio dos EUA anunciar uma nova ofensiva tarifária contra o Brasil. A entidade estadunidense citou, sem provas, o Pix e sugeriu que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos adota práticas desleais de comércio, com prejuízo a concorrentes.
Além de Humberto Costa, também manifestaram repúdio à iniciativa dos EUA nomes como o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também defenderam o Pix e criticaram a ofensiva estadunidense.
EUA propõem tarifa de 25% contra o Brasil
Os Estados Unidos acusaram o Brasil de adotar práticas desleais em áreas como o Pix e de apresentar falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como desdobramento da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA, conhecido pela sigla USTR, propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.
O órgão norte-americano incluiu uma lista de exceções para produtos classificados como estratégicos pelos Estados Unidos. Entre os itens fora do alcance da medida aparecem carne, frutas, café, aeronaves e terras raras, entre outros.
A iniciativa ampliou a tensão entre Brasília e Washington, em um momento no qual integrantes do governo Lula e parlamentares do campo progressista acusam aliados de Jair Bolsonaro de atuar nos Estados Unidos contra interesses brasileiros.
STF aparece nas justificativas dos EUA
Os EUA também citaram decisões do Supremo Tribunal Federal entre as justificativas usadas para ameaçar novas taxas contra exportações brasileiras. De acordo com relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o Supremo expediu medidas sigilosas para bloquear perfis de pessoas residentes naquele país.
O governo Trump mencionou determinações do ministro Alexandre de Moraes contra brasileiros que vivem em território norte-americano. Os alvos citados respondem a acusações de ataques antidemocráticos contra o STF, entre eles o blogueiro Allan dos Santos.
Na semana passada, a Justiça da Flórida determinou a intimação de Moraes para apresentar defesa no processo em que a rede social Rumble acusa o ministro de determinar bloqueios ilegais.
Bolsonarismo busca apoio no governo Trump
A família Bolsonaro articula apoio junto ao governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, com o objetivo de pressionar autoridades brasileiras em favor de anistia para políticos e eleitores condenados por ações golpistas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou aos EUA no último dia 25 e retornou no dia 28. O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, vive em território estadunidense e busca apoio da extrema-direita trumpista.
A movimentação dos filhos de Jair Bolsonaro tornou-se alvo de críticas de lideranças governistas, que enxergam nas articulações uma tentativa de internacionalizar disputas internas e influenciar decisões estrangeiras contra o Brasil.
Condenações por ações golpistas
No Brasil, Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar após receber condenação do Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão na investigação sobre a trama golpista. O inquérito resultou em 29 condenações, mas os filhos do ex-mandatário não receberam condenação nessa apuração.
Em outra investigação, o Supremo Tribunal Federal condenou mais de 1,4 mil pessoas por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. As decisões integram a resposta institucional aos ataques contra as sedes dos Três Poderes, em Brasília.



