‘É inadmissível a sabotagem dos falsos patriotas contra o Brasil’, afirma José Guimarães
Ministro critica tarifa dos EUA, defende o Pix e diz que "falsos patriotas" atacam a soberania nacional
247 — O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, afirmou nesta segunda-feira (2) que "a sabotagem às negociações entre o governo do Brasil e o dos Estados Unidos pode resultar em graves danos à economia brasileira". Em post na rede social X, o titular da SRI criticou a decisão do Escritório de Comércio dos EUA de aplicar uma taxação de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
"É inadmissível que sabotadores da pátria coloquem seus interesses pessoais, familiares e eleitorais acima dos interesses nacionais e da nossa soberania", escreveu Guimarães.
A crítica fez referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo o ministro, integrantes da família Bolsonaro e aliados políticos atuam contra o interesse público brasileiro ao buscar apoio externo em meio a disputas internas.
Em outra mensagem, Guimarães afirmou que "os falsos patriotas agem contra os interesses nacionais".
Tarifa dos EUA amplia tensão com o Brasil
A medida anunciada pelos Estados Unidos atingiu parte dos produtos brasileiros, mas deixou fora itens considerados estratégicos pelas autoridades norte-americanas. Entre as exceções citadas estão carne, frutas, café, aeronaves e terras raras.
Guimarães afirmou que o governo do presidente Lula já apresentou os fundamentos técnicos em resposta aos questionamentos feitos por autoridades dos Estados Unidos. "Nossa expectativa é encerrar o caso sem que nenhuma medida prejudique a economia brasileira", declarou o ministro.
A discussão ocorre em um momento de forte reação de lideranças progressistas contra o tarifaço do governo de Donald Trump. Além de Guimarães, o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também defenderam o Pix e criticaram a ofensiva norte-americana.
Pix entra no centro da disputa política
O debate sobre a tarifa também envolve a defesa do Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Lideranças do campo progressista enxergam a investigação aberta pelos Estados Unidos como uma ameaça a um instrumento público, gratuito e amplamente usado pela população brasileira.
A ofensiva contra o Pix começou em 15 de julho de 2025, quando o governo trumpista anunciou uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil. Desde então, o tema passou a ocupar espaço no embate político entre o governo Lula e a extrema-direita bolsonarista.
Lançado em novembro de 2020, o Pix rapidamente ganhou espaço na vida econômica nacional e se tornou uma das principais formas de pagamento usadas no país. Ao fim de novembro de 2025, a plataforma reunia 178,9 milhões de usuários, conforme dados divulgados pela Agência Brasil em 6 de dezembro de 2025.
Levantamentos do Banco Central também mostram que mais de 170 milhões de pessoas físicas utilizam o Pix, número que corresponde a mais de 80% da população brasileira. A ferramenta passou a ocupar papel central nas operações diárias de trabalhadores, empresas e pequenos negócios.
Condenações por ações golpistas pesam no conflito
As condenações no Brasil por ações golpistas motivaram a taxação determinada pelos Estados Unidos. Ministros do Supremo Tribunal Federal condenaram 29 pessoas no inquérito da trama golpista.
Jair Bolsonaro recebeu a pena mais alta, de 27 anos de prisão, e atualmente cumpre prisão domiciliar. No inquérito sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o Supremo Tribunal Federal anunciou mais de 1,4 mil condenações.
Donald Trump integra o Partido Republicano, identificado na reportagem como representante da extrema-direita estadunidense. No Brasil, o PL, partido de Bolsonaro, compõe a extrema-direita brasileira.
Articulações bolsonaristas nos EUA
A família Bolsonaro intensificou articulações junto ao governo de Donald Trump com o objetivo de pressionar autoridades brasileiras. O movimento busca apoio a uma anistia para políticos e eleitores condenados por ações golpistas.
Na semana passada, Flávio Bolsonaro esteve nos EUA, enquanto Eduardo Bolsonaro vive em território estadunidense. A atuação dos dois tem sido alvo de críticas de integrantes do governo Lula e de parlamentares progressistas, que acusam a família bolsonarista de tentar usar a política externa dos EUA contra instituições brasileiras.
China e disputa geopolítica
Outra motivação geopolítica mais ampla para a taxação anunciada pelos EUA é a influência crescente da China no Brasil e na América. Segunda maior potência global, o país asiático ocupa o posto de principal parceira comercial do Brasil e aposta no multilateralismo para impulsionar a economia mundial.
Em 25 de agosto de 2025, a China passou a figurar entre os três principais parceiros comerciais de 157 países e regiões, conforme informação divulgada em coletiva da série "Concluir com alta qualidade o 14º Plano Quinquenal", promovida pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado.



