Haddad mira Palácio dos Bandeirantes, critica gestão Tarcísio e cobra transparência total no caso Banco Master
Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo diz que estado vive retrocessos em segurança, educação e saúde
247 – Em entrevista concedida ao programa Poder Expresso, do SBT News, nesta quarta-feira, 9 de abril de 2026, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad confirmou sua entrada na disputa pelo governo de São Paulo, criticou duramente a atual gestão estadual e afirmou que pretende liderar uma campanha “de alto nível”, ancorada em um plano de governo que, segundo ele, responderá aos principais problemas do estado. Na mesma conversa, Haddad também abordou o escândalo do Banco Master, defendeu “transparência total” nas investigações e disse que o governo do presidente Lula agiu para desbaratar esquemas herdados de administrações anteriores.
Ao SBT News, Haddad afirmou que sua decisão de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes foi influenciada por conversas com o presidente Lula e por um diagnóstico que, segundo ele, contrasta com a imagem mais favorável que parte do noticiário projetaria sobre São Paulo. Para o ex-ministro, a realidade do estado é mais grave do que parece, com deterioração em áreas sensíveis da administração pública.
Críticas à gestão estadual e promessa de plano moderno
Haddad declarou que, ao analisar dados e políticas públicas do governo paulista, encontrou um cenário preocupante. “Eu comecei a me deparar com uma realidade bastante diferente da noticiada e entendo que nós em São Paulo temos condições de apresentar pro povo paulista uma alternativa consistente de gestão pública”, afirmou.
O ex-ministro destacou que pretende apresentar um programa robusto, com apoio de diferentes forças políticas. Ele citou nomes como Márcio França, Simone Tebet, Marina Silva e a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Tereza Vendramini, como parte de um grupo que já discute propostas para o estado.
Segundo Haddad, o desafio é recolocar São Paulo na “fronteira das políticas públicas”. “Nós estamos longe de estar hoje na fronteira do que tem de mais moderno em termos de políticas públicas”, disse, acrescentando que o estado “está ficando para trás” em áreas estratégicas.
Alianças amplas e diálogo com diferentes setores
Ao comentar a formação de sua chapa, Haddad indicou que busca construir uma coalizão ampla, incluindo setores do agronegócio e do empresariado. Ele negou ter formalizado convite para vice, mas confirmou diálogo com Tereza Vendramini.
“Eu falei: ‘Teca, seria muito importante você participar da vida pública. Você é uma grande liderança’”, afirmou, destacando que há um agronegócio moderno e comprometido com práticas sustentáveis.
Haddad também revelou que mantém interlocução com diferentes lideranças políticas, incluindo o presidente do PSD, Gilberto Kassab. “Eu quero ouvir, porque eu não quero fazer um julgamento precipitado”, disse, ao explicar que busca compreender as posições de adversários antes de formular críticas mais contundentes.
Banco Master e defesa de investigações rigorosas
Um dos pontos centrais da entrevista foi o escândalo envolvendo o Banco Master, que vem mobilizando investigações e repercussões políticas em Brasília. Haddad afirmou que os responsáveis pelo esquema devem ser punidos e destacou que as irregularidades foram identificadas durante o atual governo.
“Quem tem que se explicar são os responsáveis por esse escândalo que foi desbaratado pelo nosso governo”, declarou.
O ex-ministro citou outras operações conduzidas durante sua gestão, como a chamada “Operação Carbono Oculto” e ações contra a chamada máfia dos combustíveis, para reforçar sua atuação no combate à corrupção.
Sobre o Banco Master, Haddad classificou o caso como possivelmente o maior escândalo bancário da história recente do país. “Um banco com patrimônio pífio ter 80 bilhões de passivo no seu balanço, com ativos completamente superavaliados”, disse.
Ele também diferenciou responsabilidades individuais e institucionais. “Uma coisa é dolo, uma coisa é atividade ilícita. A outra coisa é a responsabilidade que qualquer gestor público tem de zelar pelo ambiente regulatório”, afirmou.
Alertas ignorados e papel do Banco Central
Haddad revelou ainda que houve alertas prévios sobre irregularidades no banco, feitos por agentes do mercado financeiro. “Houve alertas do mercado, de bancos regulados pelo Banco Central, de que muitos alertas vinham sendo feitos e vinham sendo ignorados pela direção do Banco Central”, disse.
Ao comentar a atuação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Haddad afirmou que não há, até o momento, comprovação de dolo, mas ressaltou que a cadeia de responsabilidades ainda será investigada.
Relação com o STF e necessidade de transparência
Questionado sobre o impacto político das investigações envolvendo figuras do Judiciário, Haddad afirmou que a única saída é a transparência total. “Só vejo uma maneira, que é a transparência total”, declarou.
Ele também relatou conversas do presidente Lula com autoridades do Judiciário e do Ministério Público, nas quais o chefe do Executivo teria defendido apuração rigorosa. “O que aconteceu com esse banco é algo grave e nós precisamos reunir todos os esforços para garantir que tudo seja esclarecido e os responsáveis punidos”, afirmou.
Segurança pública e crítica à falta de cooperação
Na área de segurança pública, Haddad defendeu maior integração entre estados, União e parceiros internacionais, criticando o que chamou de isolamento do governo paulista.
“O estado de São Paulo está muito ensimesmado e não consegue compreender a necessidade de cooperação interfederativa”, disse.
Ele também abordou a relação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, destacando o fluxo de armas e dinheiro. “Nós sabemos até o contêiner que ela vem, o navio que vem. Seria ótimo que os Estados Unidos tivessem controle das suas fronteiras para fora”, afirmou.
Cenário eleitoral e apoio a Lula em 2026
Haddad descartou qualquer possibilidade de disputar a Presidência da República, reafirmando o apoio à reeleição do presidente Lula. “Não há hipótese disso acontecer”, declarou.
Segundo ele, o foco está totalmente voltado à disputa em São Paulo e à construção de um projeto político alinhado ao governo federal.
Disputa em São Paulo deve ganhar intensidade
A entrevista evidencia que a eleição paulista tende a ser uma das mais disputadas de 2026, com Haddad se posicionando como principal nome da oposição ao atual governador Tarcísio de Freitas.
Ao final, o ex-ministro reforçou sua confiança no projeto que pretende apresentar ao eleitorado. “Eu tenho convicção de que nós vamos apresentar um plano de governo melhor do que o que foi feito em São Paulo nos últimos anos”, afirmou.
Com críticas diretas à gestão atual, defesa de alianças amplas e discurso centrado em ética e gestão pública, Haddad inicia sua pré-campanha tentando se consolidar como alternativa competitiva no maior colégio eleitoral do país.


