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Haddad: Tarcísio e Flávio Bolsonaro querem um Brasil subserviente aos Estados Unidos

Pré-candidato ao governo de SP criticou apoio bolsonarista à classificação de facções como terroristas pelos EUA e alerta para ameaças à soberania

Fernando Haddad (Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda)
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247 - O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) criticou nesta sexta-feira (29) o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pelo apoio à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

“Tarcísio e Flávio Bolsonaro já apoiaram o tarifaço dos EUA contra o Brasil para tentar proteger Bolsonaro. Agora, apoiam uma decisão que pretende criar uma relação de subserviência do Brasil diante dos Estados Unidos”, escreveu Haddad nas redes sociais.

Críticas à decisão dos EUA

Haddad argumentou que a classificação do PCC como organização terrorista pode produzir efeitos negativos para a cooperação bilateral no combate ao crime organizado. Na avaliação do ex-prefeito de São Paulo, a mudança de enquadramento pode gerar desequilíbrio no compartilhamento de informações entre os dois países.

“Quando o combate ao crime organizado é tratado como segurança pública, Brasil e EUA cooperam de igual para igual. Mas, se os EUA tratam isso como tema de segurança nacional deles, podem exigir dados do Brasil sem ter a mesma obrigação de compartilhar informações conosco. Isso enfraquece nossa soberania e atrapalha o combate ao crime”, declarou.

Em outro trecho da publicação, Haddad voltou a atacar Tarcísio e Flávio Bolsonaro ao comentar a relação dos dois com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Eu acho um escândalo o Tarcísio e o Flávio aceitarem esse tipo de hierarquia. Eles não podem ver o Trump que já começam a beijar a mão. O Lula foi lá, apertou a mão do Trump, e eles vão lá e beijam a mão do Trump. Esse tipo de atitude desmerece o país”, afirmou.

Tarcísio celebra classificação do PCC

As declarações ocorreram um dia após Tarcísio de Freitas comemorar a decisão anunciada pelo governo do presidente Donald Trump. Em entrevista à CNN Brasil, o governador classificou a medida como “uma vitória no combate contra o crime organizado” e disse que ela abre espaço para uma cooperação internacional mais ampla.

Nas redes sociais, Tarcísio também elogiou a atuação de Flávio Bolsonaro junto a autoridades estadunidenses antes da divulgação da decisão. O senador esteve recentemente nos Estados Unidos e participou de reuniões com o presidente Donald Trump e representantes do governo dos EUA.

Tema entra na disputa eleitoral de 2026

O episódio abre uma nova frente de confronto político entre os dois principais nomes apontados para a disputa pelo governo paulista em 2026. A segurança pública deve ocupar posição central no debate eleitoral e já mobiliza diferentes estratégias dos grupos políticos.

De acordo com a CNN Brasil, aliados de Tarcísio avaliam que sua aproximação com Flávio Bolsonaro pode gerar dividendos eleitorais entre os segmentos que defendem políticas mais rigorosas de combate ao crime organizado. A segurança pública é vista pelo entorno do governador como um dos principais ativos de sua eventual campanha à reeleição.

Já interlocutores ligados à esquerda pretendem explorar eleitoralmente a relação entre Tarcísio, Flávio Bolsonaro e Donald Trump. A avaliação desse grupo é que o alinhamento aos Estados Unidos poderá ser apresentado como um posicionamento contrário aos interesses nacionais.

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