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Vorcaro cita Cláudio Castro em suspeita de propina ligada ao Master

Daniel Vorcaro cita Castro em delação recusada que aponta empresas de Bangu, R$ 228 milhões em repasses e interesses do Banco Master no Rio

Claudio Castro - Daniel Vorcaro (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil / Banco Master/Divulgação)
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247 - Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, citou o ex-governador Cláudio Castro (PL) em uma proposta de delação premiada recusada que relata supostos repasses a um grupo político ligado ao ex-chefe do Executivo fluminense, envolvendo empresas de Bangu, R$ 228 milhões em pagamentos e interesses do Banco Master no Rio de Janeiro, informa o UOL.

Duas empresas registradas no mesmo endereço em Bangu, na zona oeste do Rio, aparecem entre as dez companhias que mais receberam dinheiro do Banco Master entre 2023 e 2025, período do governo Castro, conforme dados da Receita Federal compartilhados com a CPI do Crime Organizado. A Mídias recebeu R$ 126 milhões, enquanto a Metanoien recebeu R$ 102 milhões.

As duas empresas passaram a constar do anexo sobre Castro apenas na segunda proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. A colaboração, no entanto, não foi aceita pela Procuradoria-Geral da República.

Cláudio Castro renunciou ao cargo para tentar disputar uma vaga no Senado, mas foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Depois de ser alvo de duas operações da Polícia Federal no mês passado, ele desistiu da pré-candidatura.

A defesa do ex-governador rejeitou as acusações e afirmou repudiar “ilações mentirosas baseadas em trechos isolados de uma proposta de delação que nem sequer foi aceita pela Procuradoria-Geral da República”.

Em nota, os advogados de Castro também disseram que “menções a grupo político ligado a ele ou qualquer membro de seu governo —feitas de forma genérica— não autorizam a construção de narrativas falsas, sem lastro em provas. A própria recusa da proposta demonstra a falta de credibilidade das declarações de Daniel Vorcaro”.

A defesa de Vorcaro e as empresas citadas não se manifestaram até a publicação da reportagem.

Investigadores consideram anexo insuficiente

Embora contenha mais elementos do que a primeira proposta de colaboração, o anexo de Vorcaro sobre Castro é visto por investigadores como insuficiente para justificar uma negociação de redução de pena.

A PF avançou por conta própria nas apurações relacionadas ao ex-governador. Delegados também avaliam que outros anexos envolvendo autoridades ainda não apresentam informações suficientes para a celebração de um acordo de colaboração.

Os pagamentos feitos às empresas citadas aparecem no contexto de supostos repasses ao grupo político de Castro, vinculados a interesses do Banco Master em áreas sob administração ou influência do então governo do Rio de Janeiro.

Esses interesses envolveriam pelo menos três frentes: o Credcesta, cartão consignado voltado a servidores estaduais, e aportes do Rioprevidência e da Cedae em letras financeiras e fundos ligados ao banco criado por Vorcaro.

Credcesta e mudanças nos consignados

De acordo com a proposta de delação, a relação de Vorcaro com o grupo político de Castro teria começado por meio de Nicola Miccione, então secretário da Casa Civil e apontado como homem de confiança do ex-governador.

A aproximação teria resultado em alterações nas regras dos consignados para servidores do governo do Rio. Essas mudanças permitiram a entrada do Master no mercado de crédito consignado e abriram caminho para contratos superiores a R$ 5 bilhões.

Os negócios do Credcesta no Rio antecederam os aportes do Rioprevidência e da Cedae. Entre as medidas adotadas pelo governo Castro estavam a permissão para que entidades financeiras sem inscrição no Banco Central operassem consignados e o aumento do percentual do salário que servidores poderiam comprometer com serviços financeiros do Credcesta.

Procurado pelo UOL, Miccione afirmou que seu posicionamento é o mesmo de Castro, que nega as declarações feitas por Vorcaro.

PF investiga aportes do Rioprevidência

No caso do Rioprevidência, a PF investiga R$ 3 bilhões em aportes realizados por meio da compra de letras financeiras e de repasses para fundos ligados ao Banco Master.

Os desdobramentos dessa apuração levaram aos mandados de busca e apreensão cumpridos na residência de Cláudio Castro em 26 de maio.

Ao solicitar as buscas em endereços do ex-governador, a PF apontou uma relação entre encontros de Castro com Vorcaro, no Brasil e no exterior, e períodos que antecederam aportes do Rioprevidência no Master.

Os investigadores também encontraram mensagens sobre despesas de viagens de Castro que teriam sido pagas por Vorcaro. Em maio de 2023 e maio de 2024, por exemplo, mensagens localizadas no celular do ex-banqueiro indicam que Castro esteve em um restaurante renomado em Nova York com gastos custeados por Vorcaro. A conta do jantar de 2023 ficou em cerca de R$ 66 mil.

Em 14 de maio de 2024, segundo a PF, Vorcaro voltou a bancar despesas relacionadas a Castro. Naquela data, o ex-banqueiro teria convidado o ex-governador para uma degustação de uísque no The Carnegie Club, em Nova York, restrita a dez pessoas. Um e-mail de cobrança do evento indicou custo de R$ 5,2 milhões pago pelo Master.

No dia seguinte, 15 de maio, o Rioprevidência comprou R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master.

Em manifestação sobre os encontros e os aportes no banco agora liquidado, a PF afirmou: “Depreende-se que o governador Cláudio Castro, com o propósito de se alinhar ao nababesco life style oferecido por Daniel Vorcaro e ainda auferir lucro, rifou e expôs a latente perigo o caixa de fundo composto pelo suor do trabalho de uma vida de professores, policiais, enfermeiros, dentre outras classes de servidores e pensionistas fluminenses”.

Mídias Promotora aparece em decisão do STF

A Mídias Promotora e suas transações com o Banco Master foram citadas pela PF como um dos elementos de prova que embasaram a nova fase da Operação Compliance Zero contra Castro, deflagrada em 26 de maio.

Em trecho de decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a empresa é descrita como tendo desempenhado “função relevante na engrenagem financeira dos ilícitos, atuando como instrumento de operacionalização e, em tese, de ocultação e dissimulação das vantagens indevidas decorrentes da captação irregular de recursos previdenciários”.

A investigação aponta a Mídias como ligada a Ricardo Siqueira, identificado como lobista de Vorcaro nos negócios com o Rioprevidência.

Segundo a decisão de Mendonça, o lobista teria recebido e distribuído, por meio da empresa, “comissões relacionadas à captação de recursos junto a regimes próprios de previdência, especialmente ao RioPrevidência, com percentuais previamente ajustados sobre os valores aportados no Banco Master”.

O ministro também afirmou que “A Mídias Promotora não figura apenas como intermediária formal, mas como peça instrumental na logística financeira da organização criminosa, permitindo a circulação e a fragmentação dos ganhos ilícitos com aparência de regularidade contratual”.

As apurações seguem centradas na relação entre os repasses feitos pelo Banco Master, os aportes de recursos previdenciários e os interesses privados que, segundo a investigação, teriam avançado durante o governo de Cláudio Castro no Rio de Janeiro.

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