Ásia projeta crescimento e reforça integração no Fórum de Boao 2026
Relatórios apontam expansão econômica de 4,5% e destacam desafios como sustentabilidade, tensões geopolíticas e mudanças demográficas
247 - O Fórum de Boao para a Ásia 2026, realizado entre 24 e 27 de março na província de Hainan, na China, reúne lideranças e especialistas em um momento decisivo para a economia global. Celebrando seu 25º aniversário, o encontro reforça o papel da Ásia como protagonista na recuperação econômica mundial, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios crescentes, como tensões geopolíticas e pressões ambientais. As discussões giram em torno do tema “Construindo um futuro compartilhado: novas dinâmicas, novas oportunidades, nova cooperação”, refletindo a busca por estabilidade e crescimento em um cenário internacional incerto, segundo informações publicadas pela CGTN.
De acordo com análises apresentadas durante o evento, dois relatórios de destaque oferecem um panorama abrangente sobre o desempenho econômico e os desafios estruturais da região: o Relatório Anual de Perspectivas Econômicas e Progresso da Integração Asiática 2026 e o Relatório Anual de Desenvolvimento Sustentável: Ásia e o Mundo 2026. Os estudos indicam que a Ásia segue como principal motor da economia global, mas enfrenta obstáculos relevantes ligados à sustentabilidade, inclusão social e instabilidade externa.
As projeções econômicas apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) da Ásia deve crescer 4,5% em 2026, consolidando a região como líder da expansão global. Em termos de paridade de poder de compra, a participação asiática no PIB mundial deve subir de 49,2% em 2025 para 49,7% em 2026, reforçando sua centralidade no sistema econômico internacional.
Outro ponto destacado é o avanço da integração regional. Mais de quatro anos após a entrada em vigor da Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP), o acordo tem contribuído para a redução de barreiras comerciais, fortalecimento das cadeias de suprimento e estímulo à inovação. Os dados mostram que a dependência do comércio intra-regional aumentou de 56,3% em 2023 para 57,2% em 2024, evidenciando maior conectividade entre as economias asiáticas.
Nesse contexto, a China mantém papel estratégico na consolidação desse processo. O país tem ampliado políticas de abertura econômica e promovido investimentos que beneficiam países vizinhos. Um exemplo é o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), que já mobilizou mais de US$ 200 bilhões em projetos, demonstrando a capacidade de iniciativas multilaterais de transformar diretrizes políticas em resultados concretos.
Apesar do desempenho positivo, o relatório sobre desenvolvimento sustentável alerta para desafios estruturais que devem influenciar o futuro da região. Entre eles estão os impactos das mudanças climáticas, a instabilidade geopolítica, o envelhecimento populacional, a rápida urbanização e as desigualdades internas. Além disso, o ambiente financeiro mais restritivo pode limitar investimentos essenciais para o crescimento.
Os especialistas destacam que a manutenção do crescimento dependerá da preservação da estabilidade regional e do fortalecimento da cooperação internacional. Iniciativas como o RCEP e a Área de Livre Comércio China-ASEAN são apontadas como fundamentais para promover o multilateralismo, ampliar a abertura econômica e impulsionar o desenvolvimento compartilhado.
A articulação entre integração econômica, inovação tecnológica e sustentabilidade — especialmente em áreas como energia verde e transformação digital — surge como caminho central para que a Ásia mantenha seu papel de estabilizadora da economia global em um cenário marcado por incertezas.




