Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Pezeshkian cobra ação do BRICS para conter agressão contra o Irã

Presidente iraniano defende cessação imediata dos ataques de EUA e Israel, pede garantias contra novas ofensivas e propõe estrutura regional de segurança

Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian 12/06/2025 (Foto: Site da Presidência do Irã/WANA/Divulgação via REUTERS)

247 – O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, defendeu neste sábado (21) uma atuação mais firme do BRICS para conter a escalada militar contra seu país e pediu a “cessação imediata” do que classificou como agressão promovida por Estados Unidos e Israel. As declarações foram divulgadas pela Agência Brasil, com base em informações publicadas pela embaixada iraniana na Índia em postagem na rede X.

Segundo o relato, Pezeshkian conversou por telefone com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, no início do dia, em meio ao agravamento da tensão no Oriente Médio. Na conversa, o presidente iraniano afirmou que é necessário interromper imediatamente os ataques para pôr fim à guerra e evitar que o conflito se amplie ainda mais em toda a região.

De acordo com a embaixada do Irã na Índia, Pezeshkian também sustentou que devem ser estabelecidas garantias para impedir a repetição de episódios semelhantes no futuro. Nesse contexto, cobrou do BRICS, bloco que reúne grandes economias emergentes, um papel independente diante da crise. Ao pedir maior protagonismo do grupo, o líder iraniano indicou que a resposta à atual escalada não pode ficar subordinada aos interesses das potências militares envolvidas no confronto.

A defesa de uma participação ativa do BRICS ocorre em um momento em que o bloco busca ampliar sua influência geopolítica e consolidar-se como espaço de articulação do Sul Global. Ao apelar aos países-membros, Pezeshkian sinaliza que vê na aliança uma instância capaz de atuar diplomaticamente contra a intensificação da guerra e em favor de uma solução política para a crise.

Ainda segundo as informações divulgadas pela representação diplomática iraniana, o presidente apresentou a Modi a proposta de criação de uma estrutura de segurança regional formada por países da Ásia Ocidental. A ideia, conforme o comunicado, seria construir mecanismos próprios para garantir a paz e a estabilidade, sem interferência estrangeira. A proposta reforça a linha política defendida por Teerã de que a segurança regional deve ser conduzida pelos próprios países da região, e não por atores externos.

Do lado indiano, Narendra Modi também se manifestou publicamente sobre a conversa. Em postagem separada no X, o primeiro-ministro afirmou ter condenado os ataques à infraestrutura crítica no Oriente Médio durante seu diálogo com Pezeshkian. A declaração indica preocupação de Nova Déli com os efeitos mais amplos da crise sobre a estabilidade regional e sobre áreas estratégicas para o comércio internacional.

Modi reiterou ainda, segundo sua manifestação, a importância de preservar a liberdade de navegação e de assegurar que as rotas marítimas continuem abertas e seguras. O tema tem peso central para a Índia, potência com forte dependência do comércio exterior e diretamente interessada na estabilidade dos corredores marítimos que atravessam o Oriente Médio e áreas próximas.

A ênfase na proteção da infraestrutura crítica e na segurança das rotas de navegação mostra que o conflito extrapola a dimensão militar imediata e ameaça cadeias logísticas, fluxos energéticos e interesses econômicos de vários países. Nesse cenário, a conversa entre os líderes do Irã e da Índia revela não apenas a gravidade da crise, mas também a tentativa de construir respostas diplomáticas diante do risco de uma desestabilização ainda maior.

Ao defender a interrupção imediata dos ataques, pedir salvaguardas contra novas ofensivas e convocar o BRICS a agir de forma independente, Pezeshkian busca internacionalizar a pressão política contra a escalada militar. Sua fala também recoloca no centro do debate o papel das potências emergentes e dos arranjos multilaterais alternativos em um momento de grande tensão internacional.

A posição indiana, por sua vez, combina condenação aos ataques contra infraestrutura crítica com a defesa da segurança marítima e da estabilidade regional. Embora sem aderir explicitamente ao tom de Teerã contra EUA e Israel, Modi sinalizou preocupação com os impactos concretos da guerra sobre o Oriente Médio e sobre a circulação global de mercadorias e energia.

Com isso, a conversa entre Pezeshkian e Modi projeta o conflito para além do campo militar e reforça o debate sobre a necessidade de soluções diplomáticas, mecanismos regionais de segurança e maior participação de blocos como o BRICS na contenção de crises internacionais.

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