Senado do Paraguai aprova presença militar dos EUA no país
Tratado autoriza tropas e civis do Departamento de Defesa dos EUA a atuar temporariamente em território paraguaio
247 - O Senado do Paraguai aprovou na quarta-feira (4) um acordo que autoriza a presença de militares dos Estados Unidos e integrantes do Departamento de Defesa norte-americano no país. O texto recebeu 28 votos favoráveis, 7 contrários e 6 abstenções, e ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Deputados para entrar em vigor. A medida integra um pacto de cooperação militar firmado entre os governos do presidente paraguaio Santiago Peña e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a CNN Brasil.
O acordo foi assinado em dezembro e estabelece mecanismos de cooperação voltados ao enfrentamento do crime organizado e do narcotráfico na região. A iniciativa prevê que militares, civis do Departamento de Defesa e contratados norte-americanos possam permanecer temporariamente em território paraguaio para realizar treinamentos, exercícios militares, visitas de embarcações, atividades humanitárias e outras ações definidas em conjunto pelos dois governos.
O tratado também concede aos representantes norte-americanos privilégios e imunidades equivalentes aos de diplomatas. Entre os benefícios previstos estão o reconhecimento das carteiras de motorista emitidas nos Estados Unidos, autorização para uso de uniformes e armamentos e isenção de impostos no Paraguai. Além disso, militares e civis vinculados ao Departamento de Defesa dos EUA estarão sujeitos à jurisdição penal norte-americana mesmo quando estiverem em território paraguaio.
Outro ponto do acordo prevê liberdade de circulação para aeronaves, embarcações e veículos operados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos dentro do Paraguai, desde que as autoridades locais sejam previamente notificadas. Esses meios de transporte não poderão ser abordados ou inspecionados pelas autoridades paraguaias.
O texto também estabelece que integrantes das Forças Armadas e do Departamento de Defesa dos EUA terão livre circulação no país e acesso a meios de transporte previamente acordados entre os dois governos. Eles também poderão operar seus próprios sistemas de telecomunicações durante as atividades previstas no tratado.
O alinhamento entre Assunção e Washington tem se intensificado nos últimos meses. O governo de Santiago Peña vem ampliando a cooperação com os Estados Unidos em temas de segurança regional e inteligência. Nesse contexto, o ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, afirmou à CNN que o país pretende criar um centro antiterrorismo com agentes treinados pelo FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) para reunir informações sobre o Hezbollah na região da Tríplice Fronteira, área que envolve Paraguai, Brasil e Argentina.
Além dessa iniciativa, o Paraguai adotou medidas diplomáticas e de segurança que acompanham posições defendidas por Washington. Assim como o governo argentino de Javier Milei, Assunção classificou o chamado “Cartel de los Soles”, da Venezuela, como organização terrorista. A decisão ocorreu em meio a pressões dos Estados Unidos, que acusam o presidente venezuelano Nicolás Maduro de liderar o grupo — acusação negada pelo governo de Caracas.
O governo paraguaio também firmou com a Casa Branca um acordo que transforma o país em um “Terceiro País Seguro”, permitindo que solicitantes de asilo nos Estados Unidos aguardem a análise de seus pedidos em território paraguaio.
No campo diplomático, Assunção seguiu outra diretriz da política externa defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O governo de Peña transferiu a embaixada paraguaia em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo a cidade como capital israelense. Além disso, declarou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o Hamas e o Hezbollah como organizações terroristas.
Recentemente, após um ataque norte-americano ao Irã, o governo paraguaio optou por não criticar a ação militar, mas condenou a “agressão iraniana” contra Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Jordânia.


