Alfredo Attié: 'Toffoli deveria declarar suspeição no caso Master'
"O que se espera de qualquer juiz é a isenção", alertou o desembargador em entrevista à TV 247
247 - Desembargador do Tribunal de Justiça do estado de São Paulo, Alfredo Attié afirmou esta semana, em entrevista ao 247, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli deveria se declarar suspeito para analisar casos sobre o Banco Master. A Polícia Federal investiga fraudes financeiras no esquema investigado pela Operação Compliance Zero. O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco após suspeita de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões.
Conforme algumas reportagens publicadas pela imprensa tradicional, parentes do ministro do STF têm ligação com empresas que, de alguma forma, têm relação com as investigações sobre as fraudes envolvendo o Master.
"O que se espera de qualquer juiz é a isenção. O melhor seria a declaração de suspeição, não compromete o ministro. Não é bom para o Judiciário. A gente precisa do Supremo. Este ano será difícil para a democracia", disse à TV 247. “Na democracia não tem segredo de Estado. Tudo tem que ser aberto”.
Mesmo com as observações sobre o ministro do Supremo, Alfredo Attié destacou a importância de a população defender a Corte e alertou para apoiadores de práticas golpistas. “Precisamos aprimorar a forma como defendemos nossas instituições”, acrescentou.
Decisões de Toffoli
O ministro Dias Toffoli determinou que todos os bens, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos pela Polícia Federal fossem lacrados e enviados diretamente para a sede do STF, em Brasília (DF). O gabinete do magistrado também orientou a Polícia Federal a manter celulares e computadores apreendidos carregados e desconectados da internet.
O ministro do STF, porém, recuou de alguns pontos da decisão anterior e autorizou que quatro peritos da PF indicados por ele tenham acesso ao material colhido na Operação Compliance Zero, apontou o Valor Econômico nesta quinta (15). Toffoli também ordenou o envio do material à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Conforme interlocutores da PF, a própria corporação vê risco às investigações com as recentes decisões do ministro.
Entenda
O ministro do STF Dias Toffoli viajou a Lima, no Peru, em dezembro de 2025, em um avião particular, para assistir à final da Libertadores, disputada entre o Flamengo e o Palmeiras, apontou a coluna de Lauro Jardim em 7 de dezembro. O trajeto foi feito ao lado de um advogado que integra a defesa de um dos investigados no caso do Banco Master, Augusto Arruda Botelho.
O magistrado foi no jatinho privado do empresário Luiz Oswaldo Pastore, suplente de senador pelo MDB e proprietário do jatinho que levou o magistrado e o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, um dos alvos das investigações sobre o Banco Master.
Em 11 de janeiro, uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que duas empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades.


