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Após sequência de adiamentos, Justiça italiana decide extradição de Carla Zambelli nesta terça

Ex-deputada condenada pelo STF está presa em Roma e tem cidadania italiana; decisão cabe ao Judiciário local

Brasília - 24/09/2025 - Reunião da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara para ouvir a deputada federal Carla Zambelli (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

247 - Após quatro adiamentos, a Justiça italiana deve analisar nesta terça-feira (10), em Roma, o julgamento que pode definir a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa na capital italiana. O caso envolve o pedido formal do Brasil para que ela retorne ao país, após condenações no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão caberá às autoridades judiciais da Itália, responsáveis por abrir e concluir o procedimento que determinará se a extradição será autorizada. O processo ganha complexidade pelo fato de Zambelli possuir cidadania italiana. As informações são do Estadão Conteúdo

Julgamento acontece após quatro adiamentos

O julgamento previsto para esta terça ocorre depois de sucessivos adiamentos. Zambelli foi presa em Roma após deixar o Brasil, o que levou o governo brasileiro a solicitar sua extradição às autoridades italianas. Agora, a Justiça italiana deve avaliar os elementos do pedido e decidir se autoriza ou não o envio da ex-parlamentar ao Brasil para o cumprimento das penas estabelecidas pelo STF.

Defesa cita pressão política contra a extradição

A defesa de Carla Zambelli na Itália afirma ter expectativa positiva quanto ao desfecho do julgamento. O advogado Fabio Pagnozzi, que representa a ex-deputada no país europeu, declarou que o senador italiano Matteo Gelmetti tem atuado junto ao Ministério da Justiça para tentar impedir a extradição.

Segundo Pagnozzi, Gelmetti, integrante do partido da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, tem criticado o andamento do processo no Brasil, atribuindo ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, suposto desrespeito às garantias processuais.

“O senador, do partido da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, está cobrando a não extradição ao ministro da Justiça e também criticando a forma como esse processo no Brasil foi julgado por um ministro ‘relator, vítima e acusador’, nas palavras dele”, disse Pagnozzi.

Procurado por meio da assessoria do STF e de seu gabinete, Alexandre de Moraes não se manifestou até o momento.

Caso Angelo Bonelli e a divulgação do endereço

Ainda de acordo com a defesa, o senador Gelmetti solicitou esclarecimentos às autoridades italianas sobre como o deputado Angelo Bonelli, do Partido Verde da Itália, obteve o endereço de Zambelli em Roma.

“O senador pediu esclarecimentos sobre como o endereço de Zambelli foi fornecido por um deputado de esquerda, já que ele não teria acesso às investigações da polícia local”, afirmou Pagnozzi. “Esse cenário muda muito”, completou.

Em julho do ano passado, Bonelli publicou em seu perfil na rede social X que havia localizado Zambelli e repassado o endereço às autoridades. “Carla Zambelli está em um apartamento, em Roma. Forneci o endereço à polícia; neste momento, a polícia está identificando Zambelli”, escreveu o deputado à época.Bonelli, de 62 anos, é ativista ambiental e, desde 2022, presidente da Aliança Verde-Esquerda, coligação que faz oposição ao governo de Giorgia Meloni.

Segundo os investigadores, contudo, Zambelli teria sido localizada pelo adido da Polícia Federal em Roma, que atua na embaixada brasileira, em conjunto com autoridades italianas. A prisão ocorreu no mesmo dia da publicação de Bonelli. Desde então, ela permanece detida na capital italiana.

Condenações no STF e fuga do Brasil

No Brasil, Carla Zambelli foi condenada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal. Na primeira ação, foi sentenciada a dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica.

O caso envolve o hacker Walter Delgatti Neto, que afirmou ter sido contratado por Zambelli para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra Alexandre de Moraes. Após essa condenação, Zambelli deixou o país e acabou presa na Itália em uma operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais.

Processos por invasão ao CNJ e perseguição armada

Na segunda condenação, o STF fixou pena de cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A decisão também prevê a perda do mandato após o trânsito em julgado.

O caso se refere a um episódio ocorrido durante as eleições de 2022. Em vídeos divulgados nas redes sociais e analisados pela Polícia Civil, Zambelli aparece empunhando uma pistola enquanto persegue um homem negro, que é agredido por outras pessoas. Um tiro chegou a ser disparado pelo grupo do qual a então deputada fazia parte. Zambelli, por sua vez, afirma que teria sido agredida.

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