Flávio diz que teve "conversa objetiva" com Moraes sobre pedido de prisão domiciliar para Bolsonaro
Defesa cita risco à saúde e pede revisão de decisão ao STF; ministro do STF não estipulou prazo para a decisão sobre o novo pedido
247 - A defesa de Jair Bolsonaro(PL) voltou a pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para obter a concessão de prisão domiciliar, com base em argumentos relacionados ao estado de saúde do ex-chefe do Executivo. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que participou de uma reunião com o ministro Alexandre de Moraes para reforçar o pedido.
Segundo o G1, o encontro teve caráter técnico e serviu para reiterar pontos já apresentados formalmente ao Supremo, incluindo preocupações sobre a permanência de Bolsonaro no atual local de custódia.
Reunião com Moraes reforça argumentos da defesa
Flávio Bolsonaro, que passou a integrar a equipe de advogados de defesa do ex-mandatário, relatou que a conversa com o ministro foi objetiva e focada nos aspectos jurídicos e médicos do caso. De acordo com o senador, a defesa destacou os riscos associados à condição clínica de Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tramar um golpe de Estado.
“O ministro nos recebeu, em uma conversa objetiva onde nós pudemos reforçar o que já estava na petição, a preocupação com a possível piora do estado de saúde dele por ocasião do local onde ele se encontra. Apesar de ele estar sendo bem tratado no 19º Batalhão e ter sido atendido prontamente quando passou mal da última vez”, disse.
Ele também afirmou que Moraes não estipulou prazo para a decisão sobre o novo pedido.
“Foi uma conversa objetiva, como advogados que pediram uma audiência com o juiz da causa. Expusemos as nossas razões e ele em um momento oportuno ficou de avaliar esse novo pedido da defesa. Não deu prazo para decisão”, declarou.
Pedido ocorre após internação recente
O novo pedido de prisão domiciliar foi apresentado poucos dias após Bolsonaro ser internado em um hospital privado de Brasília. O ex-mandatário foi diagnosticado com pneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração, após passar mal enquanto cumpre prisão na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília.
A defesa solicita que o STF reconsidere decisão anterior que negou o benefício, destacando que o quadro clínico de Jair Bolsonaro exige atenção contínua.
Relatório médico aponta risco progressivo
No documento enviado ao Supremo, os advogados anexaram um relatório médico atualizado, que indica a possibilidade de novos episódios de agravamento da saúde. Apesar de reconhecerem que a estrutura de atendimento no local de custódia é adequada, os defensores alertam para riscos adicionais.
“A partir desse dado objetivo, verifica-se que a permanência do peticionário [Bolsonaro] no atual ambiente de custódia expõe o quadro clínico a um risco progressivo, na medida em que a ausência de vigilância contínua e de intervenção imediata favorecem a repetição de eventos semelhantes, com potencial de maior gravidade, especialmente em cenário de comorbidades múltiplas e já documentadas”, diz a defesa.
Os advogados também ressaltam a necessidade de monitoramento frequente do ex-mandatário. “[O quadro é] marcado por histórico de pneumonias aspirativas recorrentes, refluxo gastroesofágico persistente, apneia obstrutiva do sono grave, instabilidade postural e uso contínuo de múltiplas medicações”, afirmaram.


