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Gleisi reage à decisão de Motta que manteve Derrite à frente do PL Antifacção: "isso não ajuda no diálogo"

Presidente da Câmara minimiza impacto político e afirma que haverá diálogo com o governo na elaboração do texto

Hugo Motta e Gleisi Hoffmann (Foto: Gil Ferreira/SRI)

247 - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu manter o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto de lei antifacção, apesar de apelos do Palácio do Planalto para que o parlamentar fosse substituído. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (19) e provocou reação imediata do governo.

Em entrevista à coluna de Eduardo Gayer, no SBT News, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, avaliou que a manutenção de Derrite no posto dificulta a articulação política entre Executivo e Legislativo e afirmou que a escolha “não ajuda no diálogo” entre os Poderes.

Planalto queria trocar relator para preservar texto do Senado

O governo federal solicitou a Hugo Motta a substituição do relator com o objetivo de evitar alterações no texto já aprovado pelo Senado. Nos bastidores, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que Derrite pode modificar novamente o conteúdo da proposta, repetindo o que teria ocorrido em uma etapa anterior da tramitação.

Segundo integrantes do Planalto, Derrite, que foi secretário de Segurança Pública de São Paulo e é aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), já teria alterado o texto original elaborado pelo Ministério da Justiça e poderia fazer o mesmo agora.

Gleisi critica decisão e aponta dificuldade de articulação

Na entrevista, Gleisi mencionou que a experiência anterior do governo com a tramitação da proposta na Câmara gerou preocupação e justificou o pedido de troca na relatoria.

“Nossa experiência com a [primeira] votação na Câmara não foi boa, o projeto do governo foi muito desconfigurado. Por isso, eu havia me manifestado pela mudança [de relator]. Vamos fazer um esforço, mas, da forma como está, não dá”, afirmou a ministra. Em seguida, reforçou a crítica à decisão do presidente da Câmara: “Isso não ajuda no diálogo”, disse mais à frente.

Motta minimiza crise e promete diálogo com o governo

Apesar do desconforto no Planalto, Hugo Motta minimizou possíveis impactos políticos e afirmou que a elaboração do texto seguirá em negociação com o Executivo. “Há disposição de construir o texto em diálogo com o governo, por meio da Casa Civil, do Ministério da Justiça e da Secretaria de Relações Institucionais”, disse o presidente da Câmara à coluna do SBT News.

Relação entre Câmara e Planalto vive nova instabilidade

A manutenção de Derrite ocorre em um cenário de relação marcada por oscilações entre o comando da Câmara e o Palácio do Planalto. Em 9 de fevereiro, Hugo Motta já havia desagradado o governo ao encaminhar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6x1, sem alinhamento prévio com auxiliares do presidente Lula.

O novo episódio também ocorre em meio a articulações políticas na Paraíba. Motta pretende disputar a reeleição como deputado federal e tenta viabilizar a candidatura de seu pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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