HOME > Brasil

Haddad denuncia jogo sujo de fake news do bolsonarismo (vídeo)

Ministro divulga vídeo nas redes sociais sobre mentiras espalhadas pela extrema-direita nas redes sociais

Fernando Haddad (Foto: Reprodução Youtube)

247 – O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, hoje pré-candidato ao governo de São Paulo, publicou um vídeo em que acusa o senador Flávio Bolsonaro de espalhar desinformação antes mesmo do início formal da campanha eleitoral. Na gravação, Haddad contesta duas das principais alegações atribuídas ao parlamentar: a tentativa de associar ao governo do presidente Lula imagens de pessoas buscando restos de comida e a narrativa de que a atual gestão teria sido responsável por liberar os sites de apostas esportivas no País.

No vídeo, o ministro afirma que há manipulação deliberada de fatos e datas. Segundo ele, o conteúdo compartilhado por Flávio Bolsonaro retira de contexto imagens dramáticas da crise social vivida pelo Brasil e tenta atribuí-las a um período que não corresponde à realidade.

Logo no início da gravação, Haddad faz uma crítica direta ao que classifica como método recorrente do bolsonarismo. “A campanha nem começou e o Bolsonarinho já tá espalhando fake news. É impressionante como eles não têm nenhum compromisso com a verdade”, afirma. Em seguida, ele se refere à circulação de imagens de pessoas, inclusive crianças, recolhendo restos de comida, usadas de forma enganosa para atacar o atual governo.

De acordo com o ministro, as cenas exibidas são de outubro de 2021, portanto registradas durante o governo de Jair Bolsonaro, e não na atual administração. “Ele pega essa cena chocante de gente catando o resto de comida, incluindo crianças, e bota como se fosse no governo Lula”, disse Haddad. Na sequência, reforçou a localização temporal das imagens e associou o episódio ao agravamento da miséria durante a pandemia: “As imagens são de outubro de 2021, no governo do pai dele, um governo cruel na pandemia que virou as costas pros mais pobres, deixando 33 milhões de brasileiros com fome”.

Disputa narrativa sobre a fome

A fala de Haddad busca recolocar no centro do debate um dos temas mais sensíveis da vida nacional: a explosão da fome e da insegurança alimentar nos anos recentes. Ao mencionar o número de 33 milhões de brasileiros com fome, o ministro procura associar o drama social ao período anterior e reagir à tentativa de inversão narrativa feita por adversários políticos.

A crítica do ex-titular da Fazenda não se limita ao uso de imagens antigas. Para ele, a estratégia bolsonarista consiste em descolar fatos de seu contexto histórico para produzir impacto emocional nas redes sociais. O ministro sustenta que essa prática distorce a memória recente do país e tenta apagar responsabilidades políticas por um ciclo de aprofundamento da pobreza.

Nesse ponto, a declaração de Haddad se insere numa batalha política mais ampla sobre a herança econômica e social dos últimos anos. Ao classificar o governo Bolsonaro como cruel durante a pandemia, ele atribui à gestão anterior a deterioração das condições de vida de milhões de brasileiros, especialmente entre os mais pobres.

Haddad contesta versão sobre bets

O segundo eixo central do vídeo é a resposta à acusação de que o governo do presidente Lula teria liberado os sites de apostas esportivas, conhecidos como bets. Haddad sustenta exatamente o contrário: segundo ele, a base legal para esse mercado foi criada ainda em 2018, no fim do governo Michel Temer, e o governo Bolsonaro, que veio em seguida, não regulamentou o setor no prazo previsto.

Na gravação, o ministro faz questão de enfatizar a cronologia. “As bets foram aprovadas no final do governo Temer em 2018”, declarou. Em tom didático, ele insistiu para que o público verifique a informação por conta própria: “Pode pesquisar aí no Google, vai aí no chat GPT e pergunta qual o presidente legalizou as apostas esportivas, as bets”.

Haddad também explicou que a legislação aprovada naquele momento previa um prazo de quatro anos para regulamentação. “A lei do Temer dizia mais, dizia que o governo tinha 4 anos para regulamentar”, afirmou. Na sequência, apontou diretamente para a omissão do governo seguinte: “E qual foi o governo seguinte? Justamente o governo do Bolsonaro. E o Bolsonaro não fez absolutamente nada, deixou rolar solto, sem regra, sem limite, sem pagar imposto”.

Vácuo regulatório no governo Bolsonaro

A crítica do ministro se concentra no que ele descreve como um período de permissividade total no mercado de apostas. Segundo Haddad, a ausência de regulamentação permitiu que o setor se expandisse sem controle estatal, sem tributação adequada e com forte impacto social, inclusive sobre menores de idade e famílias vulneráveis.

Ao detalhar esse cenário, o ministro afirmou: “Até as crianças ficaram expostas a jogos de azar no celular. Tinha gente jogando com dinheiro de programa social”. A fala reforça a ideia de que o problema não nasceu no atual governo, mas se agravou justamente por falta de ação do governo anterior diante do prazo legal existente.

Ainda segundo Haddad, o crescimento acelerado das bets durante aqueles quatro anos produziu efeitos políticos, econômicos e midiáticos relevantes. “Nesses 4 anos sem regra, as bets ganharam força, financiando times de futebol, contratando influenciadores nas redes sociais, colocando dinheiro em rádio e TV e criando a bancada do tigrinho no Congresso Nacional”, afirmou.

A expressão usada pelo ministro mira a influência crescente do setor de apostas sobre o ambiente político e comunicacional brasileiro. Ao citar patrocínios esportivos, publicidade em massa e o avanço de interesses parlamentares ligados ao segmento, Haddad sugere que a falta de regulamentação ajudou a consolidar um poderoso lobby econômico no país.

O que o governo Lula diz ter feito

No vídeo, Haddad argumenta que a atual gestão não criou o problema, mas passou a enfrentá-lo com medidas concretas. Em sua versão, o governo do presidente Lula apertou o cerco sobre o setor, estabelecendo regras, tributação e fiscalização sobre empresas que operavam de maneira descontrolada.

O ministro resumiu assim a atuação do governo: “O que que a gente fez foi apertar o cerco, botando limite, criando regra, cobrando imposto, fiscalizando”. Em seguida, apresentou medidas que, segundo ele, já foram adotadas: “Nós tiramos mais de 500 bets irregulares do ar e colocamos a Polícia Federal para investigar possíveis ligações com o crime organizado”.

Haddad também afirmou que foram adotadas restrições para proteger públicos vulneráveis. “E proibimos o acesso de crianças e beneficiários do Bolsa Família”, declarou. Com isso, o ministro tenta mostrar que a ação governamental foi no sentido oposto ao da liberação irrestrita atribuída falsamente ao atual governo.

A mensagem política é clara: para Haddad, a gestão Lula herdou um mercado já liberado por lei e deixado sem regulação durante quatro anos, passando depois a organizar e restringir sua operação. Em outras palavras, o governo atual tenta se apresentar como agente de contenção de um problema que encontrou já instalado.

“Nós estamos enfrentando o problema que eles criaram”

No encerramento do vídeo, Haddad sintetiza sua linha de argumentação numa frase de forte carga política: “Nós estamos enfrentando o problema que eles criaram. Essa é a verdade”. A declaração procura inverter a acusação bolsonarista e atribuir ao campo adversário tanto a desinformação quanto a responsabilidade original pelos fatos mencionados.

Ao final, o ex-ministro ainda faz uma observação sobre o tom da disputa eleitoral que se desenha. “Começa muito mal essa campanha do Flávio, né?”, disse. A frase indica que, na leitura de Haddad, a antecipação do confronto político já vem marcada pela disseminação de fake news e pela tentativa de reescrever fatos recentes da vida nacional.

O vídeo se insere num ambiente de tensão crescente nas redes sociais, onde disputas políticas têm sido travadas com grande intensidade e forte circulação de conteúdos descontextualizados. Ao rebater ponto por ponto as alegações atribuídas a Flávio Bolsonaro, Haddad tenta não apenas se defender, mas também enquadrar o adversário como agente de uma máquina de desinformação.

A ofensiva do ex-ministro mira temas altamente sensíveis para o eleitorado brasileiro: fome, pobreza, programas sociais, jogos de azar e proteção de crianças. Ao trazer datas, responsabilidades de governo e medidas adotadas, Haddad busca consolidar uma narrativa segundo a qual o bolsonarismo tenta apagar a própria herança enquanto transfere ao atual governo problemas que se originaram ou se agravaram em administrações anteriores.

Artigos Relacionados