Lula estuda reenviar nome de Messias ao Senado
Lula busca negociação com Alcolumbre antes de decidir futuro de Messias no Supremo
247 - O presidente Lula avalia apresentar novamente o nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, mesmo depois de o ministro da Advocacia-Geral da União ter sido rejeitado pelo Senado. A nova indicação de Messias ao STF, no entanto, dependeria de uma leitura mais cuidadosa do cenário político e do momento considerado mais favorável pelo Palácio do Planalto.
A informação foi publicada pela coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, segundo a qual Lula disse a aliados, em conversas reservadas, que não vê motivo para a rejeição do nome de Messias pelos senadores. O ministro da AGU foi derrotado por 42 votos a 34 na primeira tentativa de chegar à Corte.
Segundo o relato, uma das possibilidades em análise é que Lula espere o fim das eleições de outubro para reenviar o nome de Messias ao Senado. A avaliação no governo é que, caso seja reeleito, o presidente teria melhores condições políticas para negociar a indicação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá.
Outra alternativa discutida nos bastidores seria indicar outro nome para a vaga atualmente aberta no Supremo e preservar Messias para uma futura oportunidade, em caso de eventual quarto mandato de Lula. Essa hipótese permitiria ao governo evitar uma nova derrota imediata e reorganizar a articulação política em torno do ministro da AGU.
O incômodo de Lula com a derrota no Senado
Nos últimos dias, de acordo com fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela coluna, Lula manifestou incômodo com o resultado da votação. O presidente teria afirmado a aliados que não identifica uma razão concreta para que o Senado tenha rejeitado a indicação de Messias.
Por essa razão, Lula avalia que ainda haveria espaço para insistir no nome do ministro da AGU. A condição, segundo o diagnóstico interno, seria construir uma negociação mais sólida com o Senado antes de qualquer nova tentativa, a fim de reduzir o risco de outra derrota no plenário.
A rejeição de uma indicação presidencial ao STF representa um episódio de forte impacto político. No caso de Messias, a derrota foi interpretada pelo Planalto como resultado de uma articulação mais ampla nos bastidores do Congresso e do Judiciário.
Planalto atribui derrota a acordo político
Nos bastidores, integrantes do governo atribuem a rejeição de Messias a um acordo envolvendo Davi Alcolumbre, o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Ainda segundo a avaliação do Planalto relatada pela coluna, esse acordo teria envolvido também a derrubada dos vetos de Lula ao chamado PL da Dosimetria, proposta que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de Janeiro, além da manutenção da medida pelo Supremo.
A leitura do governo é que a derrota de Messias não se deu apenas por resistência ao seu perfil jurídico ou político, mas por uma composição de forças que ultrapassou a própria indicação ao STF. Essa interpretação reforça a disposição de Lula de não abandonar o nome do ministro da AGU.
Sem retaliação pública contra Alcolumbre
Apesar da irritação, Lula indicou a auxiliares que não pretende adotar uma retaliação pública contra Davi Alcolumbre neste momento. Entre as medidas descartadas, ao menos por ora, estaria a demissão de indicados ligados ao presidente do Senado em cargos do governo.
A orientação no Planalto é avaliar o quadro com cautela. Lula pretende medir os efeitos da derrota, o comportamento do Senado e as alternativas disponíveis antes de definir os próximos passos em relação à vaga no Supremo e ao futuro de Messias no governo.
Essa postura busca evitar que o embate com Alcolumbre escale publicamente. Ao mesmo tempo, o governo tenta preservar margem de negociação com o Senado, especialmente caso decida insistir novamente no nome de Messias.
Futuro de Messias no governo também está em discussão
Além da vaga no Supremo, Lula deve decidir qual será o papel de Jorge Messias dentro do governo após a derrota no Senado. Uma das possibilidades em análise é transferir o ministro da AGU para o Ministério da Justiça.
Nesse cenário, o atual titular da pasta, Wellington César Lima e Silva, seria deslocado para outra função. A movimentação manteria Messias em posição de destaque no governo e poderia funcionar como sinal de prestígio político após a rejeição ao STF.
Por enquanto, a decisão permanece em aberto. O Planalto avalia se o melhor caminho será insistir no nome de Messias para a atual vaga, aguardar um momento político mais favorável ou reorganizar a presença do ministro dentro da Esplanada.


