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PGR rejeita delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB

Segundo a Procuradoria, a proposta de colaboração premiada tinha “reduzida utilidade” para investigações sobre fraudes financeiras

Paulo Henrique Costa (Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília)
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247 - A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou a delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, em meio às investigações sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília. O procurador Paulo Gonet optou pelo arquivamento da proposta apresentada pela defesa. A informação foi publicada nesta quinta-feira (25) pelo jornal Folha de S.Paulo.

O ex-dirigente aparece nas investigações desde a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado. A apuração envolve a tentativa de compra do Master pelo BRB e irregularidades financeiras. Costa foi preso. A suspeita envolve a ocultação de seis imóveis que ele teria recebido como propina do Master. As quatro unidades em São Paulo e as duas em Brasília somaram R$ 146,5 milhões. Do total, cerca de R$ 74,6 milhões teriam sido pagos.

O chefe da PGR assinou a decisão e afirmou que a proposta tinha "reduzida utilidade e débil eficácia potencial para os fins a que deveria servir". O procurador avaliou que os elementos indicados por Costa não acrescentavam dados inéditos às apurações já conduzidas sobre fraudes financeiras.

Na decisão, Gonet afirmou que os pontos apresentados pelo ex-presidente do BRB não indicavam novidade suficiente para justificar o avanço das tratativas de colaboração premiada. "Os tópicos eleitos pelo proponente, ainda que trazidos de forma superficial (dada a ausência de termo de confidencialidade), já permitem a conclusão sobre a ausência de ineditismo", diz o PGR.

O procurador também registrou que a proposta não mostrava perspectiva de resultados diferentes daqueles que os investigadores já haviam alcançado por meios próprios. A avaliação enfraqueceu a tentativa da defesa de formalizar uma negociação para acordo de delação premiada.

Investigações

A Operação Compliance Zero chegou à sua 9ª fase com foco na suspeita de participação de um agente público em irregularidades atribuídas a instituições do sistema financeiro nacional. A nova etapa, iniciada pela PF no último dia 18, tem entre os alvos o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, líder do governo no Senado, e Augusto Ferreira Lima, sócio do Banco Master, informou o Portal G1.

Segundo nota divulgada pela Polícia Federal, os agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF em endereços localizados na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A operação também inclui medidas cautelares, como suspensão de passaportes e proibição de contato entre investigados.

A Compliance Zero começou em novembro de 2025 e, desde então, passou a reunir frentes de apuração sobre fraudes bancárias, movimentações bilionárias, repasses políticos, uso indevido de informações sigilosas, ameaças, espionagem e possível tentativa de atrapalhar as investigações.

Início da operação

A primeira fase teve como eixo a suspeita de emissão irregular de Certificados de Depósito Bancário, os CDBs. Esse tipo de produto financeiro funciona como um empréstimo feito pelo investidor ao banco, em troca de remuneração futura.

De acordo com o Portal G1, a investigação apontou que o Banco Master oferecia rendimentos até 40% acima da média do mercado. Para a PF, esse patamar levantou dúvidas sobre a existência de lastro real para parte dos títulos comercializados pela instituição.

O principal alvo daquela fase foi Daniel Vorcaro, então presidente do Banco Master. A Polícia Federal prendeu o banqueiro no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no momento em que ele tentava viajar para Dubai em um jato particular. Vorcaro declarou que o deslocamento tinha como objetivo fechar a venda do banco.

Ao todo, sete pessoas foram presas na primeira etapa. Diretores do BRB também foram afastados diante de suspeitas de envolvimento em operações fraudulentas e gestão temerária, expressão usada para situações em que administradores assumem riscos excessivos sob a ótica do mercado e dos órgãos de controle.

As autoridades estimaram prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões, inclusive para pessoas físicas atraídas pelas taxas elevadas oferecidas pelo banco. Depois de 12 dias preso, Vorcaro foi solto por decisão judicial, passou a usar tornozeleira eletrônica e ficou submetido a medidas cautelares.

Patrimônio da família Vorcaro

A segunda fase, deflagrada em janeiro de 2026, direcionou a apuração para bens e valores ligados à família de Daniel Vorcaro. A PF cumpriu mandados contra o pai, a irmã e o cunhado do banqueiro, além de investidores associados ao grupo investigado.

O ministro Dias Toffoli, do STF, autorizou 42 buscas e apreensões em diferentes Estados. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e recursos financeiros.

Durante as diligências, os policiais apreenderam carros importados, relógios de luxo e dinheiro em espécie. Segundo os investigadores, fundos de investimento teriam servido para esconder recursos desviados do banco e dar aparência formal a patrimônio supostamente ilícito da família Vorcaro.

O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur também foram alvos de buscas. Os agentes apreenderam celulares dos dois durante essa etapa.

Intimidação e espionagem

Em março de 2026, a terceira fase ampliou o alcance da Compliance Zero para suspeitas de ameaças, espionagem e invasão de sistemas. Daniel Vorcaro voltou à prisão nessa etapa da operação.

A PF também prendeu Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Segundo a corporação, Sicário coordenava grupos usados para obter informações ilegalmente, intimidar adversários e acompanhar autoridades vistas como ameaça aos interesses do Banco Master.

Os investigadores identificaram um núcleo chamado “A Turma”. A PF atribui ao grupo ações como pressão sobre testemunhas, intimidação de adversários e destruição de provas.

Luiz Phillipi Mourão morreu poucas horas após ser preso e não chegou a responder ao processo. A Polícia Federal concluiu que a morte ocorreu por suicídio.

Aportes do BRB

A quarta fase, realizada em abril de 2026, concentrou a investigação em operações envolvendo o Banco de Brasília. O principal alvo foi Paulo Henrique Costa, então presidente afastado do BRB.

A PF passou a examinar aportes de R$ 16,7 bilhões feitos pelo BRB no Banco Master entre 2024 e 2025. Dentro desse total, ao menos R$ 12,2 bilhões apresentavam indícios de problemas nas garantias e na origem dos ativos. A parte restante permanecia sob análise.

As transações ocorreram durante as negociações para que o BRB assumisse o controle do Banco Master. Esse contexto levou os investigadores a apurar a suspeita de uso de recursos públicos para apoiar financeiramente uma instituição privada.

Paulo Henrique Costa afirmou que as operações eram regulares e seguiam práticas tradicionais do mercado financeiro. A Polícia Federal sustenta que as garantias apresentadas não correspondiam ao valor declarado dos ativos.

Núcleo político virou alvo

A quinta fase, deflagrada em 7 de maio de 2026, levou a investigação ao campo político. O principal alvo foi o senador Ciro Nogueira, presidente do PP.

A PF cumpriu mandados em imóveis ligados ao parlamentar em Brasília e no Piauí. A apuração mira suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo os investigadores, Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais bancados por Daniel Vorcaro ou por empresas ligadas a ele. Os valores variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

A PF afirma que, em contrapartida, o senador teria atuado em favor de interesses do Banco Master por meio de uma proposta legislativa elaborada com participação da assessoria da instituição financeira.

A mesma etapa levou à prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, em Minas Gerais. A PF aponta Felipe como operador financeiro dos repasses investigados. A Justiça também bloqueou R$ 18,85 milhões e suspendeu as atividades de quatro empresas vinculadas ao suposto esquema.

Pai de Vorcaro e policial presos

A sexta fase, em 14 de maio de 2026, mirou o suposto uso da máquina pública para obter informações de forma ilegal. A PF prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, sob suspeita de coordenar ações de intimidação executadas pelos grupos “A Turma” e “Os Meninos”.

A operação também prendeu o policial federal Anderson Wander da Silva Lima. De acordo com a investigação, o agente acessava bases de dados sigilosas e repassava informações sobre passaportes, viagens internacionais e movimentações migratórias de pessoas monitoradas pela organização criminosa.

A Polícia Federal afirma que o grupo usava esses dados para perseguir adversários e proteger interesses financeiros. As apurações também apontaram tentativas de destruição de provas depois de fases anteriores da operação.

Vazamento de dados dentro da PF

A sétima fase ocorreu em 19 de maio de 2026 e teve como alvo um perito criminal federal suspeito de repassar informações sigilosas da investigação.

O servidor sofreu buscas e apreensões e teve suas funções suspensas por decisão do STF. Segundo a PF, ele teria compartilhado dados reservados obtidos a partir da análise de materiais apreendidos em etapas anteriores da Compliance Zero.

A investigação busca identificar se os vazamentos prejudicaram a coleta de provas e dificultaram o mapeamento de outros integrantes da organização. Essa fase também reforçou a preocupação das autoridades com a proteção do sigilo da operação.

Cláudio Castro e Rioprevidência

A oitava fase, deflagrada em 26 de maio de 2026, teve como alvo o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A apuração trata da transferência de cerca de R$ 3 bilhões de recursos estaduais para fundos ligados ao Banco Master.

Segundo a PF, os aportes ocorreram principalmente por meio do Rioprevidência, responsável pela gestão de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já havia apontado “graves irregularidades” nas operações e proibido novos investimentos relacionados ao grupo Master.

Nessa etapa, agentes cumpriram dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, por ordem do ministro André Mendonça, do STF. A fase é tratada como desdobramento da Operação Barco de Papel, que investigava aplicações consideradas arriscadas e incompatíveis com critérios de segurança financeira para fundos públicos.

Nova etapa mira agente público

A 9ª fase da Compliance Zero aprofunda a linha de investigação sobre eventual participação de agente público no suposto esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.

Entre os alvos estão Jaques Wagner, líder do governo no Senado, e Augusto Ferreira Lima, sócio do Banco Master. A PF cumpre mandados na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal e aplica cautelares para restringir contatos entre investigados e deslocamentos internacionais.

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