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Rejeitado no Senado, Messias teve amplo apoio nas redes

Levantamento aponta 63,7% de manifestações favoráveis ao chefe da AGU, mesmo após derrota inédita na indicação ao STF

Jorge Messias (Foto: Ag. Senado)

247 - A rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, pelo Senado Federal para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) marcou um episódio raro na política institucional brasileira. Apesar da derrota, considerada a primeira desse tipo desde 1894, o cenário digital apresentou um movimento distinto, com predominância de apoio ao nome indicado.

De acordo com informações publicadas pelo blog de Lauro Jardim, do jornal O Globo, Messias concentrou 63,7% das manifestações favoráveis nas redes sociais durante o período analisado. O levantamento foi realizado pela Ativaweb DataLab, com base em mais de 68,9 milhões de menções públicas em plataformas como Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube.

O estudo considerou publicações entre os dias 27 e 30 de abril, abrangendo desde as horas que antecederam a sabatina no Senado, em 29 de abril, até o dia seguinte à votação. Ao todo, foram registradas cerca de 43,9 milhões de interações de apoio ao chefe da AGU.

Apoio digital supera desgaste político

Entre os termos mais associados às manifestações positivas, destacaram-se palavras como “injustiça”, “qualificado”, “perseguição”, “preparado”, “vítima” e “ataque político”. Esses elementos indicam que parte significativa do debate digital interpretou a rejeição como resultado de disputas políticas, e não apenas de critérios técnicos.

Apesar disso, o levantamento também identificou um crescimento relevante de críticas após a sabatina. Esse aumento foi impulsionado principalmente pela circulação de vídeos, recortes e conteúdos opinativos que ganharam tração nas plataformas digitais.

Ainda assim, o saldo final permaneceu favorável a Messias. As menções negativas representaram 24,5% do total analisado, enquanto 11,8% foram classificadas como neutras, indicando que o volume de apoio superou com folga as críticas.

Influenciadores ampliam críticas pontuais

A análise também destacou o papel de perfis com grande alcance na amplificação de conteúdos críticos. Publicações feitas por influenciadores e lideranças políticas, como Nikolas Ferreira, contribuíram para elevar o volume de manifestações negativas em momentos específicos.

O pico de engajamento ocorreu justamente no dia da sabatina, quando o debate atingiu maior intensidade nas redes sociais. Nesse período, conteúdos críticos ganharam visibilidade, embora sem reverter a predominância de apoio no balanço geral.

Entre os principais termos utilizados por críticos, apareceram expressões como “politização do STF”, “indicação política” e “governo Lula”. Segundo o estudo, essas críticas foram direcionadas mais à condução política do processo do que diretamente à figura de Messias.

Concentração regional e impacto nacional

O levantamento também mapeou a distribuição geográfica das interações. São Paulo apareceu como o estado com maior densidade digital e maior capacidade de amplificação das críticas em nível nacional.

Na sequência, surgem Rio de Janeiro e Minas Gerais, formando um eixo de forte influência no debate digital. Bahia e Maranhão completam a lista dos cinco estados com maior participação nas discussões online sobre o tema.

Os dados reforçam a existência de dinâmicas distintas entre o ambiente institucional e o digital, evidenciando como decisões políticas podem repercutir de forma diferente nas redes sociais, com impacto direto na formação da opinião pública.

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