Zema diz que vai rever Bolsa Família para evitar ‘geração de imprestáveis’
Após defender trabalho infantil, ex-governador promete rever programa para impedir ‘marmanjão’ de ficar em casa
247 - Romeu Zema, pré-candidato ao Planalto pelo Novo, propõe condicionar Bolsa Família a emprego e afirmou que beneficiário receberia lista de vagas e só poderia recusar uma delas, em uma revisão do programa social que ele diz pretender implementar caso seja eleito presidente.
As declarações foram dadas em entrevista ao programa Canal Livre, da Band. O ex-governador de Minas Gerais afirmou que pretende manter o Bolsa Família para quem precisa, mas disse que irá combater fraudes e impor novas exigências a beneficiários considerados aptos ao trabalho.
Zema afirmou que programas sociais são relevantes, mas defendeu mudanças no desenho do benefício. Em sua avaliação, haveria pessoas recebendo auxílio mesmo em condições de buscar emprego formal.
“Bolsa Família e programas sociais são importantíssimos. Nós vamos manter para quem precisa. Sabemos que tem muita fraude, que eu vou combater. E também não vou pagar auxílio do governo, Bolsa Família, para os marmanjões, que é o que mais está crescendo no Brasil. Nós estamos criando uma geração de imprestáveis”, disse.
O pré-candidato também declarou que há vagas com carteira assinada disponíveis no país e criticou adultos que, segundo ele, preferem permanecer em casa recebendo auxílio governamental.
“Há vagas com carteira assinada, e marmanjão fica em casa, nas redes sociais, na Netflix, e prefere receber o auxílio governamental, não estuda, não trabalha, vive às custas do governo, e de vez em quando, faz um bico para complementar a renda”, afirmou.
Regras mais rígidas para manter o benefício
Questionado sobre como funcionaria a proposta, Zema disse que o beneficiário receberia uma lista de oportunidades de emprego e teria direito a recusar apenas uma delas. A ideia, segundo ele, seria impedir que pessoas aptas ao trabalho permaneçam no programa sem buscar inserção formal no mercado.
O ex-governador também associou o modelo atual a um estímulo à informalidade. Para Zema, parte dos beneficiários complementa a renda com trabalhos eventuais, sem vínculo formal, e permanece dependente do auxílio.
“Hoje nós temos um incentivo a essa informalidade, à perpetuação desta situação, em que o pai já viveu assim e o filho está aprendendo a viver. Ele ganha com os bicos mais R$ 1.000, não tem nenhum compromisso com horário e aprendizado. Daqui a 10 ou 15 anos, ele continuará totalmente desqualificado como está hoje”, declarou.
Zema defende trabalho para adolescentes
No fim de semana, Zema também respondeu a críticas nas redes sociais após declaração feita ao podcast Inteligência Ltda., na sexta-feira, em que afirmou que crianças poderiam “ajudar” em atividades consideradas “mais simples”.
Após a repercussão, o ex-governador disse defender oportunidades para adolescentes, com proteção e sem prejuízo à escola. Ele citou a possibilidade de trabalho como aprendiz a partir dos 14 anos, já prevista no Brasil.
“Educação e trabalho digno são o que formam caráter, disciplina e futuro. No Brasil, isso já é permitido a partir dos 14 anos como aprendiz, mas precisamos ampliar essas oportunidades com proteção, sem atrapalhar a escola, como já acontece em muitos países desenvolvidos. Agora, vamos falar a realidade aqui: milhões de jovens já trabalham hoje na informalidade, sem regra e nenhuma proteção”, afirmou.


