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A China está vencendo a guerra comercial, aponta The Economist

Pequim supera os Estados Unidos com estratégias de retaliação, inovação tecnológica e nova ordem global de comércio

Revista The Economist (Foto: Reprodução / The Economist)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping devem se encontrar na próxima semana, na Coreia do Sul, em meio a uma escalada de tensões entre as duas maiores potências econômicas do planeta. Nas últimas semanas, Washington e Pequim vêm trocando novas sanções, tarifas e restrições, em um confronto que redefine o equilíbrio global de poder.

Segundo análise publicada pela revista The Economist em 23 de outubro de 2025, a China está saindo vitoriosa na guerra comercial. O país asiático aprendeu a retaliar com precisão, consolidou sua influência sobre as cadeias produtivas mundiais e agora testa suas próprias regras comerciais internacionais — um movimento que pode alterar de forma duradoura a economia global.

Desde seu retorno à Casa Branca, Donald Trump retomou e intensificou a política de pressão sobre a China. A nova estratégia inclui tarifas mais altas, sanções a empresas chinesas e restrições rigorosas à exportação de tecnologias sensíveis. O objetivo era sufocar a indústria chinesa e conter o avanço de sua capacidade tecnológica. No entanto, seis meses após o início da ofensiva, é Pequim quem demonstra maior fôlego e adaptabilidade.

A publicação destaca que a China demonstrou “dominância escalatória” — ou seja, habilidade para responder na mesma medida às ações dos Estados Unidos. As tarifas impostas por Trump em abril, conhecidas como “Dia da Libertação”, foram revertidas após a queda nas bolsas americanas. Já a ameaça de impor taxas de 100% sobre produtos chineses foi abandonada quando Pequim restringiu exportações de terras raras, insumos essenciais para a indústria de alta tecnologia mundial.

Enquanto Trump enfrenta resistência interna e os efeitos de suas próprias medidas sobre o mercado financeiro, a China avança. O índice acionário chinês teve alta de 34% em dólares neste ano, o dobro da valorização do S&P 500. Pequim também adotou retaliações cirúrgicas: taxou navios chineses nos portos americanos, suspendeu importações de soja dos EUA — um golpe bilionário em estados agrícolas cruciais para a base eleitoral de Trump — e abriu investigações antitruste contra empresas como Google, Nvidia e Qualcomm.

Além de resistir, a China está moldando uma nova arquitetura comercial. Suas exportações cresceram mais de 8% no último ano, mesmo com queda de 27% nas vendas aos Estados Unidos. O domínio chinês sobre o mercado de terras raras permite a criação de um sistema global de licenciamento, mais rigoroso que o modelo americano aplicado aos semicondutores. Essa política simboliza o avanço de Pequim rumo a uma economia que dita suas próprias regras.

A guerra comercial também fortaleceu politicamente Xi Jinping e o Partido Comunista. Apesar de desafios estruturais, como o setor imobiliário em crise e o consumo interno enfraquecido, a pressão americana consolidou a narrativa de autossuficiência nacional e inovação tecnológica. O novo plano quinquenal chinês, discutido nesta semana, deve aprofundar essa estratégia de independência e investimento em alta tecnologia.

A The Economist alerta, no entanto, que o caminho chinês não está livre de riscos. O redirecionamento das exportações pode estimular outros países a erguer barreiras tarifárias, e o uso excessivo de poder econômico pode levar parceiros a buscar alternativas para reduzir sua dependência de Pequim. Ainda assim, o saldo do embate é claro: a China transformou uma tentativa de sufocamento em oportunidade de fortalecimento estratégico.

Caso o encontro entre Trump e Xi ocorra na Coreia do Sul, analistas esperam um gesto de trégua temporária — como a suspensão de tarifas e o adiamento das restrições sobre as terras raras. Entre os possíveis temas de negociação está também a venda do aplicativo TikTok a investidores americanos.

 

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