Derrubada de estátuas pode ser indício de uma revolução

O momento atual é simbólico de uma reviravolta profunda no que diz respeito a quem domina o espaço público e reproduz um fenômeno que ocorreu em outros momentos de grandes transformações

Estátua do traficante de escravos Edward Colston
Estátua do traficante de escravos Edward Colston (Foto: Reprodução/Twitter)
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Leonardo Sobreira, 247 - Em meio às manifestações que vêm ocorrendo ao redor do mundo, a legitimidade de monumentos que homenageiam, por exemplo, traficantes de escravos, ditadores e generais está sendo fortemente questionada. 

Em Bristol, no Reino Unido, uma estátua de Edward Colston, traficante de escravos do século XVII, foi derrubada, pintada de vermelho e despejada em rio. Na Bélgica, ativistas estão demandando que estátuas em homenagem ao Rei Leopoldo II, responsável pelo genocídio no Congo, sejam derrubadas. Nos EUA, o governador da Virgínia prometeu a remoção de uma estátua em homenagem a Robert E. Lee, soldado Confederado.
“As pessoas vêm derrubando estátuas desde a construção das primeiras efígies dos famosos,” diz o colunista do Guardian, Jonathan Jones. Ele continua: “Os iconoclastas do movimento Black Live Matters estão apenas fazendo o que era costumeiro na Roma Antiga. Quando Sejano, o capanga cruel do Imperador Tibério, finalmente caiu, também caíram suas estátuas.”

Assim, a remoção de monumentos públicos se dá em momentos de mudança histórica, na qual uma realidade substitui a outra. A alemanha pós-Nazismo, países do leste Europeu pós-comunismo, e a Espanha pós-Franco são os exemplos mais emblemáticos deste processo. Simbolicamente, momentos como estes marcam o fim de uma era e o início de uma catarse popular.

Como disse Malcolm X, “a revolução gera reviravoltas e destrói tudo que entra no seu caminho.”  
Para o historiador David Olusoga, por exemplo, “a derrubada da estátua de Edward Colton não é um ataque contra a história. É a história em si. É um desses momentos históricos raros cuja chegada significa que as coisas nunca mais retornarão ao que eram antes.”

Os protestos que se espalham ao redor do mundo visam justamente isso: uma transformação catártica da sociedade atual para muito longe da era na qual era aceitável se homenagear ícones que representam o racismo. 

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