Estadão aponta Alcolumbre como símbolo da degradação do Senado
Editorial critica atuação do presidente da Casa na rejeição de Jorge Messias e aponta uso político de prerrogativas institucionais
247 – O jornal Estado de S. Paulo publicou editorial em que classifica o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como um dos principais símbolos da degradação política no Congresso Nacional, após a rejeição inédita da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
No texto, o jornal descreve Alcolumbre como expressão de uma política de bastidores marcada por interesses pessoais, barganhas e oportunismo, responsável por transformar uma prerrogativa institucional — a análise de indicações ao STF — em instrumento de disputa de poder contra o governo do presidente Lula.
A rejeição de Messias, a primeira em mais de um século, foi construída por uma articulação heterogênea que reuniu bolsonaristas, setores da bancada evangélica e parlamentares insatisfeitos com o Supremo. Ainda assim, segundo o editorial, o fator decisivo foi a atuação direta de Alcolumbre, que teria conduzido o processo para impor uma derrota política ao Planalto.
Uso político do Senado expõe distorções institucionais
O editorial é contundente ao afirmar que Alcolumbre não liderou qualquer movimento em defesa de princípios institucionais ou critérios técnicos. Pelo contrário, sua atuação é descrita como típica de uma política “pequena”, voltada à acumulação de poder pessoal.
Segundo o jornal, o presidente do Senado retardou deliberadamente o processo de análise da indicação, esfriou o ambiente político e criou as condições para o desgaste do nome de Jorge Messias, transformando a sabatina em palco de pressões e disputas paralelas.
A decisão do Senado, portanto, não teria sido motivada por uma avaliação objetiva da capacidade de Messias, mas por sua utilidade dentro de um jogo político mais amplo, envolvendo tensões entre Legislativo, Judiciário e Executivo.
Ressentimento e cálculo eleitoral
O texto aponta ainda que Alcolumbre agiu movido por ressentimento após o presidente Lula não ter escolhido seu candidato preferido, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para a vaga no STF.
A partir dessa frustração, teria adotado uma estratégia de enfrentamento indireto, utilizando sua posição institucional para impor custos ao governo. Para o Estadão, trata-se de uma prática que evidencia o uso privado de funções públicas.
Além disso, o editorial destaca que o movimento também atende a cálculos eleitorais. Ao enfraquecer o governo Lula, Alcolumbre se posiciona como fiador de uma maioria parlamentar capaz de sobreviver ao atual ciclo político, mirando tanto a sucessão presidencial quanto a disputa interna pelo comando do Senado em 2027.
Ataque político travestido de decisão institucional
O jornal critica o que chama de “cinismo institucional” na condução do episódio. Em vez de exercer seu papel constitucional com base em critérios republicanos, o Senado teria sido instrumentalizado para uma disputa de poder.
Nesse contexto, Jorge Messias surge como vítima de uma engrenagem política que extrapola sua indicação. O editorial reconhece que o resultado não pode ser interpretado como um fortalecimento institucional do Senado, mas sim como evidência de sua deterioração.
Lula preserva capital político diante de ofensiva
Embora a derrota tenha sido significativa, o episódio também revela mais sobre a dinâmica interna do Congresso do que sobre fragilidade do governo. A articulação liderada por Alcolumbre demonstra a força de setores que operam à margem de compromissos programáticos, priorizando interesses imediatos.
O presidente Lula, por sua vez, manteve sua prerrogativa constitucional ao indicar um nome de sua confiança para o Supremo, dentro das regras democráticas. A rejeição, inédita, expõe antes uma ruptura no padrão histórico de cooperação entre os Poderes do que uma falha na escolha presidencial.
Símbolo de uma política degradada
Ao final, o editorial conclui que Davi Alcolumbre não representa qualquer renovação institucional, mas sim o aprofundamento de práticas que distorcem o funcionamento do Senado.
Longe de ser celebrado como protagonista de um suposto fortalecimento do Legislativo, o presidente da Casa é apontado como símbolo de uma política baseada em interesses particulares, que compromete o equilíbrio entre os Poderes e fragiliza as instituições democráticas.


