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Estadão pressiona Gonet a investigar Moraes, Toffoli e Nunes Marques no caso Master

Editorial cobra apuração sobre voos, relações patrimoniais e vínculos de ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master

Paulo Gonet (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 – O jornal Estado de S. Paulo publicou um editorial em que pressiona o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a abrir investigação sobre as ligações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques com o banqueiro Daniel Vorcaro e negócios envolvendo o Banco Master. Segundo o periódico, a apuração é necessária diante de fatos revelados pela imprensa que, embora não configurem crime de forma imediata, exigiriam esclarecimentos.

No texto, o Estado de S. Paulo afirma que cabe a Gonet requisitar a abertura de inquérito e sustenta que essa iniciativa demonstraria respeito ao princípio da igualdade perante a lei. O jornal também classifica como “estranhíssimo” o silêncio do chefe do Ministério Público Federal diante das informações já divulgadas.

Voos de Moraes e atuação do escritório da família

O editorial destaca que Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, realizaram ao menos oito voos em aeronaves vinculadas a Daniel Vorcaro. Segundo o jornal, a advogada afirmou que os deslocamentos foram pagos por meio de “compensação de honorários advocatícios”, indicando que o casal tinha conhecimento sobre a origem das aeronaves.

O Estado de S. Paulo também menciona que o escritório da família Moraes foi contratado pelo Banco Master por R$ 129 milhões. Na avaliação do editorial, o valor estaria acima do padrão usual para os serviços prestados. A partir disso, o jornal questiona a presença do ministro nos voos, ressaltando que, por ocupar uma cadeira no STF, ele não deveria participar de deslocamentos vinculados a contrapartidas decorrentes da atuação profissional de sua esposa.

Patrimônio e evolução financeira

O texto também aborda a evolução patrimonial do casal. Segundo o jornal, Moraes e sua esposa adquiriram imóveis que somam R$ 23,4 milhões, pagos à vista, elevando significativamente o patrimônio imobiliário desde 2017, quando o ministro tomou posse no Supremo.

Para o periódico, os rendimentos conhecidos de Moraes não explicariam essa evolução. Ainda que mencione a possibilidade de os recursos terem origem na atuação da advogada, o editorial pondera que sua atividade profissional teria sido mais discreta antes da chegada do marido ao STF.

Toffoli e viagens a resort

Em relação a Dias Toffoli, o editorial afirma que há registros de voos em jatinhos ligados a Vorcaro e a outro empresário. Um dos destinos mencionados é o resort Tayayá, do qual Toffoli já admitiu ter sido sócio.

O jornal questiona, no texto, a aceitação de viagens de lazer custeadas por empresários com interesses potenciais em decisões do Supremo, levantando dúvidas sobre a adequação desse tipo de conduta no contexto institucional.

Nunes Marques e conexões indiretas

No caso de Nunes Marques, o editorial aponta que o ministro utilizou aeronave ligada a Vorcaro em uma viagem pessoal entre Brasília e Maceió. Segundo o jornal, o voo teria sido pago por uma advogada do Banco Master, casada com um ex-colega do ministro.

O Estado de S. Paulo também menciona que o filho de Nunes Marques, o advogado Kevin Marques, recebeu valores de uma empresa abastecida por recursos de Vorcaro, reforçando a existência de conexões indiretas que, segundo o jornal, deveriam ser analisadas.

Cobrança por investigação

Na parte final, o editorial sustenta que a presença de ministros do STF em voos custeados direta ou indiretamente por Vorcaro pode não ser apenas inadequada, mas potencialmente mais grave, dependendo do contexto. O jornal afirma que a sociedade tem direito a esclarecimentos e reforça que cabe ao procurador-geral da República conduzir a apuração.

O texto conclui que, embora os fatos isoladamente não configurem crime, o conjunto de elementos apresentados justificaria uma investigação, tanto para preservar o interesse público quanto para proteger a credibilidade institucional do Supremo Tribunal Federal.

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