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Globo cobra, em editorial, "explicações urgentes" de Moraes e Toffoli

Jornal afirma que revelações sobre o caso Master levantam dúvidas sobre relações dos ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro

Sessão plenária do STF Foto: Rosinei Coutinho/STF (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 – Um editorial publicado pelo jornal O Globo neste sábado afirma que os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), precisam apresentar “explicações urgentes e convincentes” sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto das investigações envolvendo o banco Master. A avaliação foi divulgada na coluna editorial do jornal neste sábado, a partir de informações reveladas anteriormente pela colunista Malu Gaspar.

Segundo o editorial, as recentes revelações ampliaram questionamentos sobre possíveis vínculos entre integrantes do STF e o empresário. O texto sustenta que as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro seriam “o desdobramento mais grave do caso” desde que vieram à tona informações sobre um contrato milionário firmado entre o banco Master e um escritório de advocacia ligado a familiares do ministro.

De acordo com o jornal, mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro, datadas de 17 de novembro de 2025, indicariam que o banqueiro informava Moraes sobre negociações relacionadas à venda do banco Master. O mesmo conjunto de mensagens também faria referência a um inquérito sigiloso conduzido pela Justiça Federal em Brasília, que resultaria na prisão do empresário.

Mensagens e questionamentos

Segundo o editorial, as mensagens foram enviadas na forma de imagens de visualização única. Em duas delas, Vorcaro teria perguntado ao interlocutor: “Conseguiu bloquear?” e também questionado se havia novidades no caso.

Ainda conforme a publicação, naquele mesmo dia foi anunciada a operação de venda do banco Master ao grupo Fictor. Horas depois, Vorcaro foi preso e a instituição financeira acabou sendo liquidada.

Em sua primeira reação pública, Moraes negou ter recebido mensagens do banqueiro. Em nota, afirmou tratar-se de “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”.

Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal divulgou outra manifestação oficial, afirmando que as mensagens citadas “não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”. Segundo a nota, os prints estariam vinculados a pastas associadas a outros contatos da agenda do telefone apreendido e “não constam como direcionados” ao ministro.

O editorial do jornal sustenta, no entanto, que as explicações apresentadas até o momento não teriam esclarecido completamente os fatos. Segundo o texto, a perícia realizada pela Polícia Federal teria identificado o nome e o número de telefone de Moraes associados aos registros das mensagens.

Ainda de acordo com o editorial, o número atribuído ao ministro teria respondido quatro vezes às mensagens enviadas por Vorcaro, também por meio de imagens de visualização única, além de registrar o envio de emojis de aprovação em duas ocasiões. O jornal afirma que, embora os prints das respostas não tenham sido preservados, a existência delas estaria registrada nos dados periciados.

Perguntas levantadas pelo editorial

Com base nessas informações, o editorial levanta uma série de questionamentos sobre a natureza da relação entre Moraes e Vorcaro. Entre as perguntas feitas pelo jornal estão: qual teria sido o conteúdo das mensagens trocadas, por que elas teriam sido enviadas com mecanismos de visualização restrita e se havia frequência nas comunicações entre ambos.

O texto também questiona por que Vorcaro teria procurado diretamente Moraes, e não a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que mantinha contrato com o banco Master.

Segundo o editorial, essas dúvidas não deveriam ser interpretadas como ataques pessoais, mas como questões de interesse público. O jornal argumenta que ministros do Supremo Tribunal Federal, assim como qualquer autoridade pública, devem prestar esclarecimentos à sociedade quando surgem suspeitas ou questionamentos sobre suas relações com investigados.

Questionamentos envolvendo Toffoli

O editorial também menciona dúvidas relacionadas ao ministro Dias Toffoli. O texto recorda que vieram à tona informações sobre negócios imobiliários envolvendo familiares do ministro e o grupo ligado a Vorcaro.

Entre os episódios citados está a venda de participação em um empreendimento turístico, o resort Tayayá, no Paraná. Segundo o jornal, Toffoli demorou a admitir que era sócio da empresa que vendeu a participação no empreendimento a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

O ministro afirmou que não recebeu dinheiro na operação, mas, segundo o editorial, isso não seria suficiente para afastar dúvidas. O texto destaca que Toffoli era relator do caso Master no STF e que chegou a decretar sigilo amplo sobre o processo.

De acordo com o jornal, o ministro deixou a relatoria apenas após a divulgação pública da sociedade envolvendo o empreendimento.

Defesa da transparência institucional

Na avaliação apresentada pelo editorial, a prestação de esclarecimentos não comprometeria o papel do STF na defesa das instituições democráticas. O texto lembra que o Supremo teve papel central em decisões relacionadas à tentativa de golpe de Estado no país e afirma que essa atuação já estaria registrada na história política recente.

Ao mesmo tempo, o editorial argumenta que, para preservar a credibilidade da Corte, é necessário que dúvidas sobre a conduta de ministros sejam esclarecidas de forma transparente.

O jornal também sustenta que, enquanto os fatos não forem totalmente esclarecidos, seria adequado que Moraes e Toffoli se declarassem impedidos de participar de votações relacionadas ao caso Master.

Segundo o editorial, “não podem pairar dúvidas sobre as relações de Vorcaro com figuras tão relevantes da República”, reforçando a cobrança por explicações públicas e detalhadas dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

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