Guerra é de Trump, não do povo brasileiro, diz Lula
Presidente critica impacto do conflito no Irã sobre o preço do diesel e cobra responsabilidade das potências globais
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta terça-feira (31) os impactos econômicos e geopolíticos da guerra no Irã, ao afirmar que o conflito, impulsionado pelos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, não pode ser transferido para a população brasileira na forma de inflação e aumento dos combustíveis. As informações foram publicadas originalmente pela Agência Brasil.
Durante evento em São Paulo em comemoração aos 21 anos do Programa Universidade Para Todos (Prouni) e aos 14 anos da implementação da Lei de Cotas Raciais, Lula destacou que o governo tem atuado para conter a alta do óleo diesel, combustível central para a economia brasileira, mas enfrenta dificuldades estruturais herdadas de decisões anteriores.
Diante de uma plateia de estudantes, o presidente afirmou que medidas estão sendo tomadas para evitar que a escalada internacional do petróleo se traduza em aumentos internos.
"Nós tomamos todas as medidas possíveis para evitar que se aumente o óleo diesel. Mas, no governo passado, eles venderam a distribuidora [BR Distribuidora, ex-subsidiária da Petrobras]. Então, quando a gente não sobe o preço, mesmo que a Petrobras baixe o preço, ele não chega na ponta, porque os atravessadores não deixam", declarou Lula.
A fala aponta para críticas à privatização de ativos estratégicos da Petrobras, que, segundo o presidente, reduziram a capacidade do Estado de controlar os preços finais e proteger o consumidor.
Diesel caro pressiona alimentos e inflação
Lula destacou que o aumento do diesel tem efeito direto sobre toda a cadeia produtiva, impactando especialmente os preços dos alimentos. Segundo ele, o encarecimento do combustível rapidamente se reflete no custo de itens básicos consumidos pela população.
"Nós só vamos sossegar quando o preço do óleo diesel não subir, porque a guerra é do Trump, a guerra não é do povo brasileiro e a gente não tem que ser vítima dessa guerra", afirmou.
A declaração reforça a posição do governo de que o Brasil não deve arcar com os custos de um conflito internacional que não lhe diz respeito diretamente, ao mesmo tempo em que sinaliza esforço para proteger a economia doméstica.
O presidente também mencionou o papel de órgãos de fiscalização, como a Polícia Federal e o Ministério Público, no monitoramento de possíveis distorções na cadeia de distribuição de combustíveis.
Críticas às potências e ao Conselho de Segurança da ONU
Em seu discurso, Lula ampliou o tom crítico ao cenário internacional e cobrou responsabilidade dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas: Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia.
"Vocês estão vendo o bloqueio à Cuba, o que fizeram na Venezuela, o que fizeram no Irã. E agora, o que está acontecendo com a guerra no Irã? O preço do combustível está subindo, e o preço do combustível subindo vai chegar no alface, vai chegar no feijão, vai chegar no arroz, vai chegar em tudo que a gente compra. Então, é preciso dar um recado a esses cinco senhores membros [permanentes] do Conselho de Segurança da ONU: criem juízo. O mundo precisa de paz, o mundo não precisa de guerra", alertou.
Ao relacionar o cenário geopolítico com o cotidiano da população, Lula enfatizou que decisões tomadas no plano internacional têm efeitos concretos sobre o custo de vida.
Na sequência, o presidente criticou o papel atual do Conselho de Segurança.
"Quando a ONU foi criada, em 1945, o Conselho de Segurança e os membros permanentes, que são esses cinco países, eles foram criados para manter a paz no mundo, mas eles estão fazendo guerra", afirmou.
Governo prepara subsídio para conter alta do diesel
Em meio à escalada dos preços internacionais, o governo federal prepara uma medida provisória para subsidiar o diesel importado. A informação foi confirmada pelo ministro Dario Durigan, que indicou a possibilidade de um desconto de R$ 1,20 por litro.
A proposta prevê um custo total de R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, dividido entre União e estados, com cada ente arcando com R$ 0,60 por litro subsidiado. A iniciativa busca reduzir a pressão inflacionária e evitar riscos de desabastecimento diante da defasagem entre os preços internos e o mercado internacional.
Guerra no Irã completa um mês e pressiona petróleo
O conflito no Irã, iniciado com ataques combinados de Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, completou um mês sem perspectiva concreta de cessar-fogo. Desde então, o preço do barril de petróleo já subiu cerca de 50%, ampliando os impactos sobre economias dependentes de importação, como o Brasil, que compra cerca de 30% do diesel que consome.
Além das consequências econômicas, relatórios já apontam riscos ambientais e climáticos associados ao conflito, que ocorre em uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo. A possibilidade de uma escalada militar, incluindo eventual invasão terrestre por tropas norte-americanas, mantém o cenário internacional sob forte tensão.


