Bancada petista no Senado apoia decisão do STF e afirma que Eduardo Bolsonaro foi 'um verdadeiro chantagista'
'Usou influência para constranger instituições', disparou a senadora Teresa Leitão sobre o deputado cassado
247 - A líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PE), afirmou que a condenação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a quatro anos e dois de prisão determinada pelo Supremo Tribunal Federal reforça a necessidade de responsabilizar quem age contra o país. Conforme a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-parlamentar cometeu o crime de coação ao tentar interferir no processo da trama golpista conduzido pelo STF. A PGR afirmou que o filho de Jair Bolsonaro usou articulações com o governo Donald Trump (EUA) com a finalidade de incentivar sanções ao Brasil por conta da condenação do pai a 27 anos de prisão no inquérito sobre a tentativa de golpe. Outras 28 pessoas foram condenadas na investigação.
“O povo brasileiro sabe que o filho de Bolsonaro agiu como um verdadeiro chantagista ao tentar utilizar sua influência para constranger instituições nacionais e pressionar autoridades brasileiras justamente no momento em que os responsáveis pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro eram julgados”, afirmou.
O senador Humberto Costa também destacou que a Primeira Turma tomou a decisão por unanimidade. Para ele, Eduardo Bolsonaro tentou usar influência política fora do Brasil para proteger Jair Bolsonaro e prejudicar interesses nacionais. “O ex-deputado usou lobby nos EUA e tarifas contra o próprio Brasil para tentar salvar o pai. A ficha caiu: ninguém está acima da lei”, resumiu.
O senador Rogério Carvalho (PT-SE) também demonstrou apoio à decisão do STF. “Quem trai o seu país, conspira contra a democracia e tenta intimidar as instituições, precisa responder pelos seus atos. Ninguém pode estar acima da lei, sobretudo quando atenta contra a soberania nacional e o Estado Democrático de Direito.”
Além de Teresa, Humberto Costa e Rogério Carvalho, a bancada do PT no Senado é formada pelos seguintes senadores: Beto Faro (PA), Camilo Santana (CE), Fabiano Contarato (ES), Jaques Wagner (BA), Paulo Paim (RS) e Randolfe Rodrigues (AP). A lista está divulgada na Agência Senado.
Na Câmara dos Deputados, vários parlamentares filiados ao Partido dos Trabalhadores também comentaram sobre a decisão do STF contra o ex-parlamentar da extrema direita brasileira e defenderam a importância da soberania nacional.
Entre as possíveis sanções defendidas pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Brasil estão um tarifaço de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para o território estadunidense. A gestão trumpista também criticou o Pix, sistema de pagamento lançado pelo Banco Central. Mesmo sem provas, os EUA acusaram o governo brasileiro de práticas desleais no comércio.
A Defensoria Pública da União (DPU) representou Eduardo Bolsonaro. O defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho afirmou que o deputado não interferiu na decretação das medidas do presidente Donald Trump contra o Brasil. Segundo Esdras, Eduardo fez apenas "interlocução política". "Eduardo não teve poder decisão sobre a política externa dos Estados Unidos, não integra o governo norte-americano e não exerce função pública naquele país", afirmou
Demonstrando a sua proximidade com Donald Trump, o próprio deputado cassado comentou a condenação determinada pelo STF brasileiro e confirmou que buscará apoio no presidente estadunidense para reverter a decisão. O ex-parlamentar citou "Casa Branca", "Departamento de Justiça" e "Congresso americano", para conseguir adesão aos ataques contra o Judiciário brasileiro.



