'O dinheiro é meu', afirma Eduardo Bolsonaro sobre morar em mansão nos EUA
Deputado cassado afirmou que vive de aluguel no Texas e negou irregularidade ao comentar sobre imóvel de R$ 6 milhões
247 - Residindo nos Estados Unidos há mais de um ano, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro reagiu, nesta quarta-feira (27), à reportagem do site The Intercept Brasil sobre a casa onde vive no Texas (EUA) e afirmou que mora de aluguel. O filho de Jair Bolsonaro (PL) negou qualquer irregularidade relacionada ao imóvel de R$ 6 milhões. A informação foi publicada pela coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.
Ao ser questionado sobre o valor do aluguel do imóvel, o ex-deputado disse que a quantia não deveria ser tratada como questão pública, pois, segundo ele, os recursos usados para pagar a moradia seriam privados. “O valor pode ser o valor que quiser, o dinheiro é meu”, disse Eduardo Bolsonaro em Washington após acompanhar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma agenda no Departamento de Estado dos EUA.
A manifestação ocorreu após a reportagem do The Intercept Brasil apontar detalhes sobre a residência onde ele estaria vivendo na cidade de Southlake, no estado do Texas.
O imóvel é avaliado em mais de R$ 6 milhões e já teria sido anunciado para aluguel por R$ 30 mil por mês, o equivalente a cerca de US$ 5,7 mil, segundo anúncios imobiliários. O ex-deputado questionou a apuração e afirmou que o Intercept teria indicado o endereço errado.
“Desde março (de 2025) não recebo dinheiro público. Sou uma pessoa igualzinha a vocês: dinheiro privado, tudo meu. Moro de aluguel ao contrário do que o Intercept falou. O Intercept dá fake news. O Intercept foi na casa errada porque são péssimos jornalistas investigativos”, afirmou Eduardo.
Contexto
Eduardo Bolsonaro concedeu as declarações em um contexto no qual políticos do campo progressista brasileira pressionam órgãos do Judiciário para investigar a atuação do ex-parlamentar nos EUA. A avaliação é de que o ex-parlamentar faz articulações com a extrema direita estadunidense para estimular sanções contra o Brasil por causa do inquérito da trama golpista, em que o Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão.
Nesta semana, o ministro do STF Alexandre de Moraes deu um prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o pedido de inclusão de Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que investiga a atuação de Eduardo nos EUA.
Em Washington, o deputado cassado também fez um comentário dias após o Intercept Brasil apontar, no último dia 13, que o senador Flávio Bolsonaro, irmão do ex-parlamentar, negociou diretamente com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, um financiamento de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro. Do valor total, R$ 61 milhões teriam sido repassados para o longa.
O caso também está sendo apurado pela Polícia Federal. Investigadores suspeitam que parte dos recursos enviados por Daniel Vorcaro, oficialmente destinados ao filme sobre Bolsonaro, possa ter sido utilizada para financiar despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro ou ações de lobby do ex-deputado junto ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump, em articulações contra autoridades brasileiras.
No caso de Vorcaro, a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, investiga o ex-banqueiro por envolvimento em um esquema de fraudes financeiras que, segundo a corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões.



