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México convoca autoridades para depor sobre presença da CIA em Chihuahua

Cerca de 50 autoridades de Chihuahua são chamadas em investigação sobre possíveis crimes contra a segurança nacional

Presidente mexicana Claudia Sheinbaum 23/2/2026 REUTERS/Raquel Cunha (Foto: REUTERS/Raquel Cunha)

247 - A Procuradoria Geral do México FGR convocou cerca de 50 autoridades de Chihuahua para prestar depoimento em uma investigação sobre a presença da CIA no estado mexicano, em um caso que envolve possíveis crimes contra a segurança nacional e mortes após uma operação e a defesa da soberania do México feita pela presidente Claudia Sheinbaum.

As informações foram publicadas pela Telesur. Segundo a emissora, a Procuradoria-Geral da República do México abriu diligências após uma operação realizada em Chihuahua, cujas circunstâncias passaram a ser apuradas pelas autoridades federais mexicanas.

A investigação ocorre depois de uma ação que, de acordo com autoridades de Chihuahua, teria como alvo um laboratório de drogas. O caso ganhou maior repercussão pela suspeita de presença de agentes da CIA no território mexicano e pelo acidente de trânsito ocorrido após a operação, que deixou quatro mortos: dois funcionários da entidade e dois cidadãos dos Estados Unidos.

A presidente Claudia Sheinbaum se pronunciou sobre o episódio e reafirmou sua posição em defesa da soberania mexicana diante da presença de agentes estrangeiros em Chihuahua. O caso ocorre em um contexto sensível para o governo mexicano, já que envolve a atuação de estrangeiros em uma operação no país e possíveis implicações legais na área de segurança nacional.

O procurador especial para a Investigação de Assuntos Relevantes Ulises Lara López, afirmou que, se forem comprovados crimes contra a segurança nacional relacionados à presença de estrangeiros no estado, será aplicado “todo o rigor da lei” contra os responsáveis. Chihuahua é governado por María Eugenia Campos, do Partido da Ação Nacional, o PAN, de direita.

Lara López informou que a Procuradoria fez pedidos legais a diferentes autoridades para apurar a situação dos agentes mortos e verificar a regularidade de eventuais credenciais e autorizações de segurança.

“Da mesma forma, foram feitos pedidos legais a diversas autoridades para verificar a existência e, quando aplicável, o status das credenciais e autorizações de segurança dos agentes falecidos, o conhecimento dessa circunstância pelas autoridades do Governo de Chihuahua e as condições legais prévias que motivaram, justificaram e delinearam a referida operação”, afirmou Ulises Lara López.

Lara López também rebateu iniciativas da governadora Maru Campos para criar uma comissão autônoma de investigação. Segundo ele, a competência para conduzir esse tipo de apuração é da Procuradoria-Geral da República.

A operação investigada ocorreu em 18 de abril na Sierra del Pinal, no município de Morelos, em Chihuahua. Depois da ação, houve um acidente em uma estrada que resultou na morte de dois funcionários locais e dois cidadãos estadunidenses, fato que ampliou a dimensão política e jurídica do caso.

O episódio foi divulgado em 19 de abril pelo então procurador-geral do estado, César Gustavo Jáuregui Moreno. Ele deixou o cargo em 27 de abril em meio às repercussões do caso, segundo as informações citadas pela teleSUR.

A investigação busca esclarecer se houve autorização legal para a presença de agentes estrangeiros, quais autoridades tinham conhecimento da operação e quais circunstâncias permitiram a atuação no território mexicano. O caso também coloca no centro do debate a relação entre segurança pública, cooperação internacional e respeito à soberania nacional do México.

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