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Empresa que Vorcaro usou em filme de Bolsonaro é suspeita de repassar R$ 139 mi para firmas suspeitas de elos com PCC e máfia

Relatório do Coaf aponta transferências milionárias para empresas investigadas por lavagem de dinheiro e ligação com o PCC e a máfia italiana

Empresa que Vorcaro usou em filme de Bolsonaro é suspeita de repassar R$ 139 mi para firmas suspeitas de elos com PCC e máfia (Foto: Divulgação )
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247 - A empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como intermediária de pagamentos ligados ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro (PL) repassou cerca de R$ 139 milhões para empresas investigadas pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de ligação com a facção criminosa PCC e integrantes da máfia italiana. 

De acordo com o jornal O Globo, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que os repasses ocorreram entre julho de 2022 e dezembro de 2025 e envolveram empresas investigadas em operações da Polícia Federal (PF) que apuram esquemas de lavagem de dinheiro, fraudes no setor de combustíveis e movimentações associadas ao crime organizado.

Coaf aponta movimentações suspeitas

O relatório do Coaf afirma que a Entre Investimentos e Participações foi utilizada como intermediadora em operações financeiras relacionadas ao Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

A empresa também teria sido usada para viabilizar pagamentos ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos, responsável pelo financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

De acordo com reportagem do Intercept Brasil, um comprovante de transferência de US$ 2 milhões indica que recursos enviados pela Entre Investimentos tinham como destino o fundo estadunidense. Documentos oficiais dos EUA mostram ainda que o fundo, registrado no Texas, possui como agente legal o escritório de um advogado ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-mandatário. Procurado, Eduardo Bolsonaro não comentou o caso. 

Flávio Bolsonaro admitiu cobrança sobre pagamentos

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, confirmou ter trocado mensagens com Daniel Vorcaro para cobrar pagamentos prometidos à produção cinematográfica. Segundo o parlamentar, o empresário havia firmado compromisso contratual para financiar o filme, mas parcelas estavam em atraso.

Empresas investigadas pela PF receberam recursos

As movimentações analisadas pelo Coaf mostram ainda que a Entre Investimentos realizou transferências para quatro empresas investigadas na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar uma organização criminosa suspeita de adulteração de combustíveis e de vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as investigações, essas empresas integrariam uma rede de contas bancárias criada para dificultar o rastreamento financeiro e burlar mecanismos de fiscalização. Parte delas também teria atuação no mercado ilegal de combustíveis.

Ainda de acordo com a reportagem, o relatório menciona ainda transferências para uma empresa de pagamentos sediada em São Paulo que foi alvo da Operação Mafiusi. A investigação apura um suposto esquema internacional de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do PCC e membros da organização criminosa italiana Ndrangheta no Porto de Paranaguá, no Paraná.

Empresa teria atuado como “conta de passagem”

O Coaf classificou as operações financeiras envolvendo a Entre Investimentos e Participações como suspeitas e indicou que a empresa pode ter funcionado como uma “conta de canal de passagem”. Segundo o órgão, houve utilização de instrumentos de transferência incompatíveis com a atividade econômica declarada pela companhia.

Em nota, o grupo Entre afirmou que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”. “A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”, acrescentou.

Grupo também é investigado pela CVM

A Entre Investimentos tem sede próxima à Avenida Faria Lima, em São Paulo, e é comandada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido no mercado financeiro pelo apelido de “Mineiro”.

Freixo Júnior também foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal em janeiro deste ano. A ação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro.

Mensagens interceptadas pela PF e divulgadas pelo Intercept Brasil mostram Vorcaro sugerindo a realização de uma operação “via Entre”. Em resposta, Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e apontado como operador financeiro do grupo, perguntou se poderia “pedir pro Minas”, em referência ao apelido de Freixo. Procurado por meio da assessoria e de contatos pessoais, Antônio Carlos Freixo Júnior não se manifestou.

A Entre Investimentos e o Banco Master também aparecem em um mesmo processo instaurado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para investigar supostas fraudes no mercado financeiro ocorridas em 2023.

Nos autos, a empresa é apontada como “intermediária de liquidez” em operações suspeitas do banco, sendo investigada por supostamente conferir aparência de legalidade a investimentos sem lastro financeiro.

Banco Central liquidou empresa do grupo

Em março deste ano, o Banco Central decretou a liquidação da EntrePay, empresa do mesmo grupo da Entre Investimentos. A companhia é suspeita de atuar como intermediária em operações ligadas a fundos associados ao Banco Master e ao ex-controlador Daniel Vorcaro, que está preso.

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