Decisão dos EUA sobre PCC e CV representa o ‘embrião do golpe novamente’, diz Roberto Tardelli
Em entrevista à TV 247, o jurista disse que a decisão dos EUA pode fortalecer uma nova ofensiva contra a democracia brasileira
247 - O jurista Roberto Tardelli alertou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, para o risco de interferência dos EUA no Brasil após a decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que, segundo ele, pode estimular sanções contra o país e alimentar novas articulações golpistas.
"Embrião do golpe novamente. O Brasil pode sofrer sanções mundiais", disse Tardelli na TV 247, fazendo críticas a políticos bolsonaristas que atuam nos junto ao governo Donald Trump para obter apoio a medidas contra o Brasil. Tardelli classificou esses políticos como "traidores" e "criminosos da pior espécie".
Para o jurista, a iniciativa revela uma ofensiva contra as instituições brasileiras e contra a autonomia do país em suas decisões internas. "Ausência de limite. Eles não têm projeto, o projeto é destruição", continuou Tardelli. "Eles já viram que as eleições estão perdidas", acrescentou.
No Brasil, lideranças do campo progressista denunciam que as tentativas de interferência dos EUA no país sul-americano têm como motivo principal as condenações de políticos da extrema direita em investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal. Foram 29 condenações no inquérito da trama golpista. Jair Bolsonaro recebeu a pena mais alta, de 27 anos de prisão. Outro inquérito é o dos atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023, que resultou em mais de 1,4 mil condenações.
Facções e Lei Antiterrorismo
Ao comentar a classificação de PCC e CV pelos Estados Unidos, o jurista Roberto Tardelli afirmou que a Lei Antiterrorismo brasileira (13.260/2016) "segue todas as diretrizes da ONU" - Organização das Nações Unidas. A decisão dos EUA foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio.
O jurista sustentou que as facções brasileiras não se enquadram no conceito de terrorismo previsto no marco legal do país. Conforme o estudioso, "nem em tese, no campo da teoria, existe essa relação" das facções com o terrorismo.
Terras raras e interesses geopolíticos
Tardelli apontou ainda as terras raras brasileiras como um dos principais motivos que explicam a tentativa de interferência dos EUA no país. Esses minerais têm relevância estratégica para setores como tecnologia, defesa, energia e indústria de ponta.
A defesa do multilateralismo e a ampliação da cooperação com China, BRICS, África e Ásia integram as principais diretrizes do terceiro mandato do presidente brasileiro, o que desafia a hegemonia estadunidense na política internacional.
A China, principal parceira comercial do Brasil, ocupa papel central nessa estratégia. A aproximação com países do Sul Global e o fortalecimento de alianças multilaterais contrastam com a lógica de alinhamento automático aos Estados Unidos defendida por setores da extrema direita brasileira.



