Economist: anexação da Groenlândia minará unidade da OTAN e a posição dos EUA na Europa
De acordo com o jornal britânico, “líderes europeus prometeram não se deixar intimidar”
247 - O jornal britânico The Economist sugere que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode dificultar ainda mais a sua política externa, e perder os aliados na Europa ao insistir em querer ter o controle da Groenlândia, no Atlântico Norte. Conforme o jornal, os interesses de do governo estadunidense na Groenlândia causaram um conflito agudo dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), sediada em Bruxelas, na Bélgica.
"As ameaças norte-americanas à Groenlândia são […] graves porque os Estados Unidos continuam sendo a espinha dorsal política e militar da OTAN", destacou a reportagem. “Líderes europeus prometeram não se deixar intimidar”.
A matéria apontou que os europeus podem usar vários meios de pressão. Segundo a publicação, a União Europeia (UE) pode impor sanções e tarifas, anular o acordo comercial de agosto de 2025 e atingir as grandes empresas de tecnologia dos EUA.
A matéria observa que entre os meios de pressão estão as bases militares estadunidenses na Europa. Em particular, sem a base de Ramstein, na Alemanha, e outras instalações, a projeção de força na África e no Oriente Médio se tornaria impossível.
Tarifas
Em mais uma de suas medidas polêmicas, o presidente Donald Trump declarou guerra comercial a alguns países e afirmou que eles estarão sujeitos a uma tarifa de 10% nas exportações enviadas para os EUA caso sejam contrários à interferência do governo estadunidense na Groenlândia - Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
Na Dinamarca, vários manifestantes foram às ruas contra a iniciativa de Trump. O Parlamento da Groenlândia. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também repudiou as ameaças feitas pelo presidente dos EUA.
Groenlândia
Com cerca de 56 mil habitantes, a Groenlândia detém expressiva riqueza mineral, com a presença de diversos metais, além de reservas de petróleo e gás. Situado entre os Estados Unidos e a Rússia, o território concentra hidrocarbonetos utilizados na produção de combustíveis, bem como ouro e urânio, empregado tanto na geração de energia nuclear quanto na fabricação de armas atômicas.
Antiga colônia da Dinamarca, a Groenlândia foi incorporada oficialmente ao Reino da Dinamarca em 1953 e, atualmente, está submetida à Constituição do país europeu. Ainda assim, comunidades indígenas e segmentos do governo local demonstram forte oposição à exploração de petróleo e gás natural, motivados por preocupações de caráter ambiental.


