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EUA e Irã realizam ataques em disputa pelo controle do Estreito de Ormuz

Washington e Teerã divulgaram versões conflitantes após ataques contra embarcações e instalações nos Emirados Árabes Unidos

Navios e barcos no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã 4 de maio de 2026 (Foto: REUTERS/Stringer)

247 - Os Estados Unidos e o Irã ampliaram nesta segunda-feira (4) a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, em meio a relatos de ataques contra embarcações, incêndios em navios mercantes e ofensivas contra instalações nos Emirados Árabes Unidos, em uma nova escalada no Golfo Pérsico que ameaça uma das rotas mais importantes do comércio global de energia.

As informações são da Reuters, que relatou versões conflitantes divulgadas por Washington e Teerã sobre os acontecimentos na região. Segundo a agência, os novos ataques com mísseis e drones ocorreram após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma iniciativa chamada “Projeto Liberdade”, destinada a permitir a passagem de petroleiros e outros navios retidos no estreito.

A rota marítima está praticamente fechada desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques ao Irã em fevereiro, em uma guerra que matou milhares de pessoas em toda a região. O Estreito de Ormuz é considerado um ponto estratégico para o fluxo internacional de petróleo e gás, e sua paralisação tem provocado forte impacto sobre o transporte marítimo e o custo dos seguros.

Segundo a Reuters, antes do fim da segunda-feira, vários navios mercantes no Golfo Pérsico relataram explosões ou incêndios. Os Estados Unidos afirmaram ter destruído seis pequenas embarcações militares iranianas, enquanto um porto petrolífero nos Emirados Árabes Unidos, país que abriga uma grande base militar americana, foi incendiado por mísseis iranianos.

Trump deu poucos detalhes sobre o “Projeto Liberdade” ao anunciar a medida nas redes sociais. A iniciativa foi apresentada dois dias depois do prazo legal previsto pela legislação americana para obter autorização do Congresso para a guerra. O presidente dos EUA afirmou ao Congresso que o conflito estava “encerrado” e que o prazo seria irrelevante, posição contestada por alguns parlamentares.

Disputa militar no Estreito de Ormuz

A ação representa a primeira tentativa aparente de uso de força militar desde o anúncio do cessar-fogo do mês passado para desbloquear a principal rota de transporte de energia do mundo. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirma que a reabertura da passagem só pode ocorrer com sua permissão.

Há semanas, a Marinha dos Estados Unidos bloqueia o comércio marítimo iraniano, medida que Teerã classifica como ato de guerra. A nova movimentação de Trump, ao menos em um primeiro momento, não resultou em aumento expressivo do tráfego de navios mercantes e provocou uma demonstração de força do Irã.

Grandes empresas de navegação indicaram que provavelmente aguardariam um acordo para encerrar as hostilidades antes de tentar cruzar o estreito. A tensão também fez disparar os custos de seguro marítimo, aumentando a pressão sobre o setor energético e sobre o comércio global.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os acontecimentos de segunda-feira mostram que não há solução militar para a crise. Ele disse que as negociações de paz avançavam com mediação do Paquistão e alertou os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos contra o risco de serem arrastados para um “atoleiro por mal-intencionados”.

“Projeto Liberdade é Projeto Impasse”, escreveu Araqchi nas redes sociais.

Versões conflitantes entre Washington e Teerã

Apesar das declarações iranianas, os militares dos Estados Unidos disseram que dois navios mercantes americanos conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz com apoio de destróieres da Marinha equipados com mísseis guiados. Washington não informou quando a travessia ocorreu.

O Irã negou que qualquer passagem tivesse ocorrido nas horas recentes. A Maersk, no entanto, informou que o Alliance Fairfax, navio com bandeira americana, saiu do Golfo pelo Estreito de Ormuz nesta segunda-feira acompanhado por forças militares dos Estados Unidos.

O comandante das forças americanas na região, almirante Brad Cooper, afirmou que sua frota destruiu seis pequenas embarcações iranianas. O Irã também negou essa informação. Cooper disse ainda que “aconselhou fortemente” as forças iranianas a se manterem afastadas dos meios militares americanos envolvidos na missão.

Autoridades iranianas divulgaram um mapa do que afirmam ser uma área marítima ampliada sob seu controle. A região apresentada por Teerã vai além do estreito e inclui longos trechos do litoral dos Emirados Árabes Unidos.

Navios atingidos e porto em chamas nos Emirados

A Coreia do Sul informou que um de seus navios mercantes, o HMM Namu, sofreu uma explosão e um incêndio na sala de máquinas enquanto estava no estreito. Ninguém a bordo ficou ferido. Um porta-voz disse que ainda não estava claro se o fogo foi causado por um ataque ou se teve origem interna.

A agência britânica de segurança marítima UKMTO relatou que dois navios foram atingidos na costa dos Emirados Árabes Unidos. A petroleira emiradense ADNOC afirmou que um de seus navios-tanque vazio foi atingido por drones iranianos.

Após relatos de ataques com drones e mísseis dentro dos Emirados ao longo do dia, incluindo um episódio que provocou incêndio em Fujairah, importante porto petrolífero do país, o governo emiradense classificou as ações iranianas como uma escalada grave e declarou reservar-se o direito de responder.

Fujairah fica fora do Estreito de Ormuz, o que torna o porto uma das poucas rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio que não dependem da passagem pelo estreito. O governo dos Emirados também informou que adotaria ensino remoto para estudantes por razões de segurança.

A televisão estatal iraniana disse que autoridades militares confirmaram ataques aos Emirados em resposta ao que chamou de “aventureirismo militar dos EUA”.

Ameaças e negociações de paz

Mais cedo, o Irã afirmou ter disparado contra um navio de guerra americano que se aproximava do Estreito de Ormuz, obrigando-o a retornar. Um primeiro relato iraniano dizia que a embarcação americana havia sido atingida, mas os Estados Unidos negaram a informação. Depois, autoridades iranianas descreveram os disparos como tiros de advertência.

A Reuters informou que não conseguiu verificar de forma independente toda a situação no estreito nesta segunda-feira, enquanto os lados em conflito divulgavam declarações contraditórias.

O comando unificado do Irã comunicou a navios comerciais e petroleiros que eles precisariam coordenar qualquer movimentação com as Forças Armadas iranianas.

“Advertimos que quaisquer forças armadas estrangeiras, especialmente o agressivo Exército dos EUA, serão atacadas se tiverem a intenção de se aproximar e entrar no Estreito de Ormuz”, afirmou o comando iraniano.

Os Estados Unidos e Israel suspenderam os bombardeios ao Irã há quatro semanas. Autoridades americanas e iranianas chegaram a realizar uma rodada de negociações presenciais de paz, mas tentativas posteriores de organizar novos encontros fracassaram.

A mídia estatal iraniana informou no domingo que os Estados Unidos transmitiram, por meio do Paquistão, sua resposta a uma proposta iraniana de 14 pontos. O Irã estaria analisando o documento. Nenhum dos lados divulgou detalhes.

Petróleo sobe com nova escalada

A proposta iraniana adiaria discussões sobre os programas de energia e pesquisa nuclear do país até depois de um acordo para encerrar a guerra e resolver o impasse sobre a navegação. Trump disse no fim de semana que ainda estudava a proposta, mas que provavelmente a rejeitaria.

Segundo autoridades ouvidas pela Reuters, informações recentes da inteligência americana indicam danos limitados ao programa nuclear iraniano desde o início da guerra. O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins civis e pacíficos.

Instalações nucleares iranianas foram bombardeadas pelos Estados Unidos e por Israel em ataques realizados no ano passado. Trump busca remover os estoques de urânio enriquecido do Irã para impedir que Teerã avance no processamento do material a ponto de poder produzir uma arma nuclear.

Em meio à nova escalada, os preços do petróleo subiram mais de 5% em negociações voláteis, impulsionados pelos relatos de intensificação dos ataques iranianos e pela incerteza sobre a circulação de navios no Estreito de Ormuz

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