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“Não há tema proibido”, diz Lula, sobre reunião com Trump

Em coletiva na Indonésia, presidente afirmou que conversará com o líder norte-americano sobre comércio, sanções e democracia

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante fotografia oficial na Secretaria-Geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Jacarta – Indonésia Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert)

247 – Durante entrevista coletiva em Jacarta, na Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que seu aguardado encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será um diálogo aberto, sem restrições temáticas. A coletiva foi transmitida pela TV Brasil e reproduzida no canal oficial do Planalto no YouTube (assista aqui).

Questionado sobre a pauta da reunião, Lula declarou que o Brasil está pronto para discutir todos os temas de interesse comum. “Não existe veto a nenhum assunto. Podemos discutir de Gaza à Ucrânia, de minerais críticos a questões comerciais”, afirmou.

O presidente ressaltou que o diálogo buscará reverter taxações impostas por Washington aos produtos brasileiros e discutir a punição de autoridades brasileiras, consideradas “sem justificativa”. “Quando duas pessoas com boa vontade se sentam à mesa, não há divergência que não possa ser resolvida”, disse Lula, acrescentando que pretende “provar com números” que as sanções econômicas foram um equívoco.

Segundo o presidente, o Brasil deseja reestabelecer uma relação civilizatória com os Estados Unidos, que “ganhe o povo brasileiro e ganhe o povo americano”.

Parcerias e acordos com a Indonésia

Lula também detalhou os resultados da visita oficial à Indonésia, onde foram assinados oito novos acordos bilaterais nas áreas de Minas e Energia, Agricultura, Ciência e Tecnologia e cooperação estatística. A missão incluiu ministros e mais de 100 empresários brasileiros.

“Brasil e Indonésia têm muito mais em comum do que a distância entre nós poderia sugerir”, declarou o presidente, destacando o potencial de crescimento do comércio bilateral, atualmente em torno de US$ 6 bilhões.

Entre as iniciativas anunciadas, estão a introdução do ensino da língua portuguesa nas escolas indonésias e a contribuição do país asiático ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que será apresentado durante a COP30, em Belém.

Resposta a declarações de Trump

Ao ser questionado sobre as recentes falas de Trump, que defendeu a execução de narcotraficantes latino-americanos, Lula reagiu com firmeza: “Falta compreensão da política internacional. Você não está aí para matar as pessoas, está para prendê-las e julgá-las. É o mínimo que se espera de um chefe de Estado.”

O presidente explicou que o Brasil atua com base em cooperação internacional e respeito à soberania dos países: “Se o mundo virar uma terra sem lei, vai ser muito difícil viver. Precisamos de diálogo e não de ameaças.”

Margem Equatorial e transição energética

Lula também defendeu a decisão do governo de autorizar pesquisas na Margem Equatorial, reafirmando o compromisso com a transição energética.

“O Brasil é um dos países com mais energia renovável do planeta. Nossa gasolina tem 30% de etanol e o diesel, 20% de biodiesel. Autorizamos pesquisa, não exploração. E a Petrobras tem histórico exemplar, sem vazamentos”, disse.

Ele afirmou que os recursos do petróleo serão usados para acelerar a mudança para uma economia verde: “O dinheiro do petróleo deve financiar a transição energética. A Petrobras vai deixar de ser uma empresa apenas de petróleo para ser uma empresa de energia.”

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